Haiti: ONU alerta que epidemia de cólera não recebe apoio internacional necessário

Surto de cólera que afeta o Haiti desde outubro de 2010 é considerado o maior do hemisfério ocidental, com mais de 700 mil casos e mais de 8.500 mortes.

O surto de cólera que afeta o Haiti desde outubro de 2010 parece ter diminuído, mas ainda é considerado o maior do hemisfério ocidental. Foto: MINUSTAH/Logan Abassi

O surto de cólera que afeta o Haiti desde outubro de 2010 parece ter diminuído, mas ainda é considerado o maior do hemisfério ocidental. Foto: MINUSTAH/Logan Abassi

Encarregado de coordenar uma resposta à epidemia de cólera no Haiti, o coordenador sênior do secretário-geral da ONU, Pedro Medrano, afirma que o país não está recebendo a atenção internacional que precisa. Ele pediu que a comunidade de doadores intensifique sua ajuda para combater a doença.

O surto de cólera que afeta o Haiti desde outubro de 2010 ainda é considerado o maior do hemisfério ocidental, com mais de 700 mil casos e mais de 8.500 mortes. “Está claro que esta epidemia não está em seus radares”, disse Medrano.

Desde o início da epidemia, a ONU iniciou esforços para apoiar o governo do Haiti na luta contra o que o Medrano se referiu como “uma emergência silenciosa”. Em dezembro de 2012, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançou uma iniciativa para a eliminação da cólera no Haiti e na República Dominicana, que se concentra na prevenção, no tratamento e na educação sobre a doença.

De acordo com Medrano, menos de 17% da população tem acesso ao saneamento básico, enquanto cerca de metade da população tem acesso à água potável. “É impossível acabar com a transmissão de cólera e outras doenças transmitidas pela água, sem intervenções urgentes nos sistemas de água e saneamento”, ressaltou.

O Sistema ONU no Haiti tem desenvolvido uma iniciativa de dois anos de 68 milhões de dólares em apoio ao Plano Nacional de 10 anos do Governo para a Eliminação da Cólera. As Nações Unidas e o governo haitiano também estão finalizando a criação de um comitê de alto nível que supervisionará a implementação coordenada das medidas de resposta para a cólera contidas no Plano Nacional.

O Ministério da Saúde do Haiti tem um plano, junto com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), de vacinar 200 mil pessoas nos próximos dois meses e outra para vacinar 300 mil antes do final do ano. A questão dos recursos financeiros, juntamente com a disponibilidade de vacinas, são seus maiores desafios. O estoque global não é suficiente para atender às necessidades de 500 mil pessoas, alertou Medrano.