Guterres reitera defesa à solução de dois Estados para conflito Israel-Palestina

Uma solução pacífica e justa para o conflito entre Israel e Palestina só pode ser alcançada por meio de dois Estados “vivendo lado a lado em paz e segurança”, reiterou na sexta-feira (15) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Em discurso ao Comitê das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino, criado pela Assembleia Geral da ONU em 1975, Guterres afirmou que “com base em resoluções relevantes da ONU, princípios de longa data, acordos prévios e lei internacionais”, Jerusalém deve ser a capital de ambos os Estados.

Palestina vende azeitonas e outros alimentos em Jerusalém em novembro de 2018. Foto: ONU/Reem Abaza

Palestina vende azeitonas e outros alimentos em Jerusalém em novembro de 2018. Foto: ONU/Reem Abaza

Uma solução pacífica e justa para o conflito entre Israel e Palestina só pode ser alcançada por meio de dois Estados “vivendo lado a lado em paz e segurança”, reiterou na sexta-feira (15) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Em discurso ao Comitê das Nações Unidas para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino, criado pela Assembleia Geral da ONU em 1975, Guterres afirmou que “com base em resoluções relevantes da ONU, princípios de longa data, acordos prévios e lei internacionais”, Jerusalém deve ser a capital de ambos os Estados.

“Infelizmente, ao longo do último ano, a situação não seguiu nesta direção”, disse, destacando protestos que começaram ao longo da fronteira com Gaza no ano passado e que deixaram centenas de mortos e milhares de feridos por forças da segurança de Israel.

Ele também citou “incidentes de segurança e provocações do Hamas e outros militantes em Gaza”, incluindo o lançamento de foguetes e pipas incendiárias, que agravaram perigosamente a situação.

“Graças a esforços de mediação da ONU e do Egito, um grande agravamento foi evitado”, afirmou, pedindo para autoridades do Hamas em Gaza “evitarem provocações”. O chefe da ONU afirmou que, sob lei humanitária internacional, “Israel, também, possui responsabilidade de exercer máxima contenção”, exceto como último recurso.

Guterres destacou que a ONU apoia firmemente a reconciliação palestina e “o retorno do governo palestino legítimo a Gaza” como “parte integral de um futuro Estado palestino”.

Ressaltando que a crise humanitária atual em Gaza precisa ser “imediatamente respondida”, ele detalhou que cerca de 2 milhões de palestinos “continuam envolvidos em crescente pobreza e desemprego, com acesso limitado a saúde, educação, água e eletricidade”, deixando jovens com “poucas perspectivas de um futuro melhor”.

“Insto Israel a retirar as restrições sobre o movimento de pessoas e de bens, que também prejudicam os esforços das Nações Unidas e de outras agências humanitárias, sem prejudicar, naturalmente, preocupações legitimas com segurança”, afirmou o secretário-geral.

Elogiando a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) por seu “trabalho crítico” em Gaza, na Cisjordânia ocupada e ao longo da região, ele pediu para a comunidade internacional aumentar “significativamente” esforços para revitalizar a economia de Gaza.

Sobre o “risco de maiores agitações na Cisjordânia”, Guterres destacou que planos e construções de assentamentos israelenses se expandiram, incluindo em Jerusalém Oriental.

“Assentamentos são ilegais sob lei internacional”, afirmou. “Eles aprofundam o senso de desconfiança e prejudicam a solução de dois Estados”.

Guterres afirmou lamentar a decisão de Israel de não renovar o mandato da Presença Internacional Temporária em Hebron. “Espero que um acordo possa ser encontrado pelas partes para preservar esse programa de ação valioso e de longa data”.

“Palestinos suportam mais de meio século de ocupação e de negação ao seu direito legítimo de autodeterminação”, com ambos os lados continuamente sofrendo com “ciclos mortais de violência”, disse.

Ele indicou que líderes possuem responsabilidade de “reverter esta trajetória negativa e abrir caminho em direção à paz, à estabilidade e à reconciliação”.

Guterres também elogiou o Comitê por manter o foco no objetivo final de uma “solução pacífica de dois Estados coexistindo em paz e segurança” como única maneira de alcançar os direitos inalienáveis do povo palestino.

“Como tenho dito repetidamente, não há Plano B”, concluiu.


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