Guterres expressa ‘total confiança’ em representante na Somália após expulsão do diplomata pelo governo

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que “lamenta profundamente” a decisão do governo da Somália de expulsar seu representante especial no país, acrescentando ter “total confiança” nas habilidades e no histórico do sul-africano Nicholas Haysom como funcionário internacional.

O advogado trabalhou como enviado especial para o Sudão e para o Sudão do Sul, foi chefe da missão da ONU no Afeganistão e também comandou a equipe de apoio constitucional da ONU no Iraque. Na década de 1990, Haysom trabalhou como chefe legal e assessor constitucional do escritório do presidente Nelson Mandela.

À extrema direita, Nicholas Haysom, ex-representante especial do secretário-geral para a Somália, desembarca em um aeroporto do país com dois colegas, em novembro de 2018. Foto: UNSOM

À extrema direita, Nicholas Haysom, ex-representante especial do secretário-geral para a Somália, desembarca em um aeroporto do país com dois colegas, em novembro de 2018. Foto: UNSOM

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou na sexta-feira (4) que “lamenta profundamente” a decisão do governo da Somália de expulsar seu representante especial no país, acrescentando ter “total confiança” nas habilidades e no histórico do sul-africano Nicholas Haysom como funcionário internacional.

De acordo com relatos da mídia, Haysom foi acusado pelo governo de violar regras diplomáticas e exceder sua autoridade ao questionar no mês passado as bases legais para a prisão de um ex-vice-líder do al-Shabab, que era candidato eleitoral.

O desertor do grupo jihadista, Mukhtar Robow, não havia sido adequadamente “reabilitado” e, logo, estaria inelegível para se apresentar como candidato, de acordo com o embaixador da Somália na ONU, Abukar Dahir Osman, que falou em reunião do Conselho de Segurança na quinta-feira (3). O representante pediu para a ONU não interferir no que descreveu como “assuntos internos” do país.

Ressaltando seu profundo pesar quanto à decisão do governo de expulsar Haysom, relatada pela primeira vez na terça-feira (1º), o chefe da ONU afirmou em comunicado que qualquer declaração de que o funcionário é persona non grata na Somália não está de acordo com regras diplomáticas. “A doutrina de persona não grata não se aplica a funcionários das Nações Unidas”, disse Guterres.

“Como descrito na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961, a doutrina se aplica a agentes diplomáticos que são credenciados por um Estado para outro no contexto de suas relações bilaterais. As Nações Unidas não são um Estado e seus funcionários não são credenciados a Estados para onde são enviados, mas trabalham sob responsabilidade exclusiva do secretário-geral”, acrescentava o pronunciamento do porta-voz do chefe das Nações Unidas.

“O secretário-geral possui total confiança em Haysom, um funcionário público internacional experiente e respeitado, que se distinguiu em diversos cargos seniores de liderança, em campo e na sede da ONU.”

O advogado sul-africano trabalhou como enviado especial para o Sudão e para o Sudão do Sul, foi chefe da missão da ONU no Afeganistão e também trabalhou no Escritório Executivo do secretário-geral, após comandar a equipe de apoio constitucional da ONU no Iraque durante o período crítico de 2005 a 2007.

Na década de 1990, Haysom trabalhou como chefe legal e assessor constitucional do escritório do presidente Nelson Mandela, o primeiro líder democraticamente eleito da África do Sul.

Guterres afirmou que ele está “totalmente comprometido em garantir que as necessidades do povo da Somália estejam na linha de frente do trabalho das Nações Unidas” no país. O secretário-geral apontou ainda que a missão da ONU na nação africana, a UNSOM, “precisa poder realizar da maneira mais eficaz possível seu mandato de apoiar o país”.

O dirigente máximo da ONU deverá nomear um novo representante especial para o país e para a chefia da UNSOM.

Também sobre a expulsão de Haysom, o Conselho de Segurança da ONU agradeceu ao diplomata sul-africano pelo trabalho desempenhado e expressou pleno apoio à missão das Nações Unidas na Somália.

Os 15 países-membros do organismo decisório “assinalaram que 2019 seria um ano crítico para a Somália e pediram aos seus líderes que trabalhem juntos para avançar as reformas políticas e de segurança”, disse uma mensagem do Conselho.

A entidade reafirmou “seu respeito pela soberania, integridade territorial, independência política e unidade da Somália”.


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