Guterres e Muhammad-Bande abrem 74ª sessão da Assembleia Geral da ONU

O novo presidente da 74ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas traz para seu papel anos de experiência na organização e valiosas percepções para os desafios atuais.

A avaliação é da liderança da ONU, o secretário-geral António Guterres, em seu discurso logo depois que o nigeriano Tijani Muhammad-Bande bateu o martelo para iniciar o mandato.

Tijjani Muhammad-Bande (nas telas e no centro), presidente da 74a sessão da Assembleia Geral, abre a primeira reunião plenária – 17 de setembro de 2019. Foto: Kim Haughton/UN Photo

Tijjani Muhammad-Bande (nas telas e no centro), presidente da 74a sessão da Assembleia Geral, abre a primeira reunião plenária – 17 de setembro de 2019. Foto: Kim Haughton/UN Photo

O novo presidente da 74ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas traz para seu papel anos de experiência na organização e valiosas percepções para os desafios atuais. A avaliação é da liderança da ONU, o secretário-geral António Guterres, em seu discurso logo depois que o nigeriano Tijani Muhammad-Bande bateu o martelo para iniciar o mandato.

Para o secretário-geral, Bande tem valiosas percepções para temas como paz e segurança, direitos humanos e desenvolvimento sustentável, aumento da violência extremista e ameaça à crise global do clima. Ele cumprimentou Bande por priorizar segurança e paz, erradicação da pobreza, fome zero, educação de qualidade, ação climática e inclusão – temas que, para ele, são parte central da agenda de desenvolvimento sustentável.

“Também aplaudo sua ênfase nos direitos humanos e na paridade de gênero”, ressaltou Guterres. Ao elencar os cinco encontros mais importantes da próxima semana – ação climática, objetivos de desenvolvimento sustentável, financiamento para desenvolvimento, cuidado universal em saúde e desenvolvimento dos estados em pequenas ilhas – Guterres lembrou que o engajamento de muitos apoiadores será essencial.

Para o secretário-geral da ONU, no mundo atual, onde tudo muda rapidamente, os desafios são globais e cada vez mais interligados. Guterres lembrou que a Organização comemorará 75 anos em 2020 e expressou preocupação com o que chamou de déficit de confiança entre as nações, afirmando que há uma necessidade premente de convencer as pessoas de que “multilateralismo oferece soluções reais para desafios globais”.

“Transparência, diálogo e maior compreensão são essenciais para amenizar a desconfiança”, lembrou Guterres. Ele reforçou que a Assembleia Geral é um fórum único e indispensável para que o mundo se reúna e discuta assuntos importantes e delicados.

Guterres destacou ainda a importância de arquitetura e instituições multilaterais efetivas e fortes, lembrando que as relações internacionais são baseadas no direito internacional. Ao final, o secretário-geral desejou sucesso no trabalho da sessão em alcançar “nossos objetivos comuns de paz, prosperidade e oportunidade para todos num planeta saudável”.

Colaboração e coordenação – Em seu primeiro discurso como presidente da Assembleia Geral, Muhammad-Bande disse que irá colaborar e coordenar com o Conselho de Segurança e o Secretariado “para garantir que maior atenção seja dada à prevenção em vez da reação a um conflito”.

“Também trabalharei para uma detecção precoce e efetiva e sistemas de alerta, assim como de mediação, negociação e acordos de paz para conflitos em andamento”, prometeu. “Trabalharei para gerar cooperação para cuidar de condutores de conflito, como pobreza, exclusão e analfabetismo”, afirmou Bande.

Ao tratar da importância da educação de qualidade, o presidente da Assembleia Geral disse que nenhuma nação pode se desenvolver para além de sua capacidade educacional, reforçando a necessidade de trabalhar para garantir que os Estados-membros possam fazer parcerias para treinamento de professores e acesso à educação primária e secundária gratuita e de qualidade. Ele também destacou a urgência em conceber meios para atender as necessidades educacionais de todos.

Ao falar sobre mudança climática, Bande considerou o tópico um elemento chave para o desenvolvimento. “Precisamos enfrentar as causas e repercussões: as recentes emergências nas Bahamas, Moçambique e na região do Sael, entre outras, nos lembram sobre a urgência de reforçar ação global para lidar com as mudanças climáticas”, afirmou. Ao falar sobre inclusão, ele destacou a importância de garantir prioridade aos direitos e ao empoderamento de jovens, mulheres e deficientes.

Esforços redobrados – “Como o organismo deliberativo mais representativo das Nações Unidas, a Assembleia Geral precisa redobrar esforços para superar as lacunas e agir para o bem comum das pessoas que servimos, particularmente quando nos preparamos para a celebração dos 75 anos da Organização”, lembrou Bande.

O presidente da Assembleia Geral disse que é necessário “construir confiança com o outro, aprofundar parcerias e mostrar empatia”. “É o único jeito de resolver os muitos desafios que nos confrontam”, destacou. E concluiu : “Teremos que lutar juntos para entregar para todos”.