Guterres detalha as cinco prioridades das Nações Unidas em 2019

Mulheres e homens de uma comunidade local, no Lesoto, participam de consultas para os planos de desenvolvimento locais contra os impactos da ação climática e insegurança alimentar. Foto: FAO (arquivo).

Mesmo diante de “ventos contrários”, as Nações Unidas “fizeram uma diferença real” em 2018 e precisarão fazer ainda mais em 2019, conforme o planeta enfrenta “um mundo de problemas”.

Esta foi a mensagem do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, na quarta-feira (16) na sede da ONU em Nova Iorque, em sua apresentação das prioridades para o ano: diplomacia para paz; ação climática ambiciosa; aceleração em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS); melhor governança sobre novas tecnologias; e valores mais fortes da ONU em todo o mundo.

“A verdade é que a experiência do último ano prova que quando trabalhamos juntos e quando assumimos nossas responsabilidades, conseguimos fazer as coisas”, disse Guterres, antes de destacar algumas das maiores conquistas da ONU em 2018.

Entre os sucessos, ele citou progresso em direção à paz no Iêmen, na Península Coreana e no Sudão do Sul; e entre as ex-inimigas Etiópia e Eritreia.

Ele também destacou o “resultado bem-sucedido” da conferência da ONU sobre o clima em dezembro na Polônia, na qual houve consenso geral sobre como implementar o Acordo de Paris, de 2015, sobre mudança climática. Entre outras grandes conquistas internacionais de 2018, estão os pactos globais sobre migração e refugiados, engajamento renovado para operações de manutenção da paz e grandes passos dados para reformar a ONU.

“Conforme olhamos para 2019, não irei medir palavras”, disse. “Embora reconhecemos o progresso que estamos fazendo, não podemos ser complacentes. Para cumprir as necessidades e as expectativas das pessoas para as quais servimos, devemos acelerar nosso trabalho”, afirmou, antes de citar as suas cinco maiores prioridades para o ano.

1. Intensificação em diplomacia

“Parcerias são fundamentais”, disse o secretário-geral da ONU, especialmente na África, conforme as Nações Unidas buscam “consolidar ganhos em direção à paz no continente”, principalmente em Sahel, Mali, Sudão do Sul, Somália, República Centro-Africana e República Democrática do Congo.

Outros conflitos onde a diplomacia eficaz será essencial e que exigem “união e apoio do Conselho de Segurança” para superar impasses são Iêmen, Líbia, Síria e Afeganistão.

“Conforme nos esforçamos para acabar com os conflitos no mundo todo, entendemos que a paz duradoura deve ser baseada em um amplo consenso da sociedade, tendo as mulheres como participantes de todos os processos de paz”, acrescentou Guterres.

2. Maior ambição sobre ação climática

Destacando que “não há maior desafio para o mundo de hoje e de amanhã” do que a mudança climática, Guterres relembrou Estados-membros de que até 2020, sob o Acordo de Paris, precisam “avaliar progressos e enviar compromissos para cumprir os objetivos que aceitaram”.

“E até 2050, precisamos alcançar zero emissão global”, destacou, explicando que isso exigirá esforços intensificados, tanto na redução de emissões quanto para aproveitar as oportunidades de um futuro energético limpo e verde.

“É por isso que irei convocar uma Cúpula sobre o Clima em 23 de setembro para mobilizar ação por parte de líderes políticos, da comunidade empresarial e da sociedade civil”, explicou, acrescentando que “precisamos de maior ambição – ambição sobre mitigação, ambição sobre adaptação, ambição sobre financiamentos e ambição sobre inovação”.

3. Avanços no desenvolvimento sustentável

“Apesar de esforços consideráveis de governos e outros, as mudanças transformativas exigidas pela Agenda 2030 ainda não estão sendo feitas”, lamentou o secretário-geral da ONU.

Ele instou Estados-membros a ter um “foco mais acentuado no que funciona para reduzir a pobreza e a desigualdade, e na entrega de economias mais fortes e inclusivas que ao mesmo tempo salvaguardam o meio ambiente – e nós precisamos de mais financiamento para estas soluções”.

Em setembro, logo após a Cúpula sobre Mudança Climática, o chefe da ONU convidou chefes de Estado e de governo a outra cúpula, focada em como acelerar ação em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), e para outros três encontros sobre financiamento ao desenvolvimento, cobertura de saúde universal e riscos enfrentados por pequenas nações insulares em desenvolvimento.

“Peço a todos que façam o seu melhor para transformar setembro de 2019 em um momento decisivo para interromper a mudança climática desenfreada, alcançando os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construindo uma globalização justa”.

4. Resposta aos desafios apresentados por novas tecnologias

Reconhecendo as novas tecnologias que “podem turbinar” os esforços mundiais para a paz e o desenvolvimento sustentável, o chefe da ONU alertou que elas “também estão superando nossa capacidade de calcular seus impactos profundos”.

Os esforços da ONU em 2019 nesta questão terão como foco “reduzir a desigualdade digital, construir capacidade digital e garantir que novas tecnologias estejam ao nosso lado como uma força para o bem”, disse.

5. Reafirmar os valores da ONU em todo o mundo

“O que nos guia é um conjunto de valores – os valores universais da Carta das Nações Unidas que nos deixa unidos”, disse o secretário-geral, citando paz, justiça, dignidade humana, tolerância e solidariedade.

“Hoje, estes valores estão sob ataque no mundo todo”, alertou, explicando que “uma batalha ideológica está acontecendo” e que “nós ouvimos os ecos problemáticos e odiosos de eras passadas e de visões nocivas se movendo à corrente convencional”.

O secretário-geral da ONU pediu maiores esforços para “mostrar que nós entendemos as ansiedades, os temores e as preocupações das pessoas” e para “responder às causas que fazem com que pessoas se sintam abandonadas em nosso mundo de rápidas mudanças”.

“Vamos continuar mostrando para todas as pessoas que nós nos importamos”, concluiu. “Vamos continuar provando nosso valor através de ação”.