Guterres: desastrosa situação humanitária na Líbia não pode continuar

O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou atenção para a desastrosa situação humanitária enfrentada por milhares de civis líbios, enquanto o conflito no país do norte da África se torna cada vez mais profundo e destrutivo. Ele participou de uma cúpula de alto nível sobre a Líbia, realizada no dia 19 de janeiro em Berlim, na Alemanha.

O país enfrenta lutas entre forças leais ao general Khalifa Haftar – que controla grandes extensões de território – e o governo em Trípoli.

Guterres informou que o número de pessoas afetadas pelo conflito tem crescido e leis internacionais humanitárias estão sendo desafiadas em inúmeras ocasiões. “Mais de 220 escolas em Trípoli estão fechadas, privando 116 mil crianças do básico direito humano à educação. Os migrantes e refugiados, presos em centros de detenção próximos às zonas de combate, também estão sendo afetados e continuam a sofrer em condições horríveis. Esta situação terrível não pode continuar”, declarou.

A chanceler alemã, Angela Merkel, discursa na Conferência de Berlim sobre a Líbia, ao lado do secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: Guido Bergmann/Governo Federal

A chanceler alemã, Angela Merkel, discursa na Conferência de Berlim sobre a Líbia, ao lado do secretário-geral da ONU, António Guterres. Foto: Guido Bergmann/Governo Federal

O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou atenção para a desastrosa situação humanitária enfrentada por milhares de civis líbios, enquanto o conflito no país do norte da África se torna cada vez mais profundo e destrutivo. Ele participou de uma cúpula de alto nível sobre a Líbia, realizada no dia 19 de janeiro em Berlim, na Alemanha.

O país enfrenta lutas entre forças leais ao general Khalifa Haftar – que controla grandes extensões de território – e o governo em Trípoli. As forças do general Haftar estão cercando a capital líbia desde abril, e os combates entre o governo e o grupo foram alimentados pelo aumento de interferência estrangeira. Enquanto o governo é apoiado pela ONU, o Exército Nacional da Líbia do General Haftar tem apoio da Rússia e de alguns estados do Oriente Médio.

Durante a cúpula, Guterres informou que o número de pessoas afetadas pelo conflito tem crescido e leis internacionais humanitárias estão sendo desafiadas em inúmeras ocasiões. “Mais de 220 escolas em Trípoli estão fechadas, privando 116 mil crianças do básico direito humano à educação. Os migrantes e refugiados, presos em centros de detenção próximos às zonas de combate, também estão sendo afetados e continuam a sofrer em condições horríveis. Esta situação terrível não pode continuar”, declarou.

Reiterando sua crença de que não há como solucionar o conflito na Líbia através de meios militares, Guterres lembrou das consequências desastrosas de uma guerra civil que, segundo ele, pode levar a um “pesadelo humanitário”, e deixar o país vulnerável a divisões permanentes. A guerra civil também apresenta riscos de desestabilizar toda a região sul do Mediterrâneo e do Sahel, além de estimular ameaças de terrorismo, tráfico de seres humanos e contrabando de drogas e armas.

Guterres cumprimentou o recente cessar-fogo entre os dois lados do conflito e os provocou a “se engajar em um diálogo de boa-fé sobre questões políticas, econômicas e militares, em um processo inclusivo promovido e liderado pelos próprios líbios”. Ele afirmou que esse processo será apoiado pelas Nações Unidas.

“Vamos apoiar o povo líbio enquanto eles trabalham para resolver suas diferenças através de discussões e compromissos de boa-fé e traçam um caminho para um futuro mais pacífico”, concluiu o secretário-geral

Após a conferência, Guterres anunciou que todos os participantes da cúpula se comprometeram a não interferir no conflito e que respeitarão o embargo de armas da ONU. Ele convidou todas as partes da Líbia a participarem de um diálogo promovido e liderado pelos próprios líbios, sob tutela da ONU, para traçar um caminho que leve a uma solução política da crise.

Guterres informou ainda que em duas ou três semanas haverá uma reunião para discutir a reforma econômica necessária para uma administração normal da Líbia.