Guerra síria completa 7 anos em março com ‘rastro de tragédia’ para civis, diz ONU

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No mês em que a guerra na Síria completa sete anos, o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, afirmou nesta sexta-feira (9) que “o contínuo sofrimento dos civis marca um grande fracasso político”. Os confrontos armados forçaram 5,6 milhões de pessoas a deixar o país em busca de segurança. Outras 500 mil tiveram de abandonar suas casas e vivem como deslocadas forçadas dentro do território sírio.

Criança no campo Tesreen, em Alepo. Foto: OCHA / Josephine Guerrero

Criança no campo Tesreen, em Alepo. Foto: OCHA / Josephine Guerrero

No mês em que a guerra na Síria completa sete anos, o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, afirmou nesta sexta-feira (9) que “o contínuo sofrimento dos civis marca um grande fracasso político”. Os confrontos armados forçaram 5,6 milhões de pessoas a deixar o país em busca de segurança. Outras 500 mil tiveram de abandonar suas casas e vivem como deslocadas forçadas dentro do território sírio.

“Para o bem das pessoas ainda vivas, é hora de acabar com este conflito devastador. Não há vencedores claros nesta busca sem sentido por uma solução militar. Mas os perdedores são fáceis de ver — eles são o povo da Síria”, criticou o dirigente, que descreveu a destruição deixada pela guerra como “um enorme rastro de tragédia”.

As condições de vida dos civis dentro da Síria são piores do que nunca, com 69% da população vivendo na pobreza extrema. O número de famílias que gastam mais da metade da sua renda anual com comida aumentou para 90%. Os preços dos alimentos são, em média, oito vezes mais altos do que os níveis anteriores à crise.

Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), cerca de 5,6 milhões de pessoas vivem em péssimas condições no que diz respeito a segurança, necessidades e direitos básicos. Todas elas precisam de assistência humanitária urgente.

Bombardeios impedem entrega de ajuda da ONU

O ACNUR e seus parceiros humanitários têm empreendido esforços para levar ajuda à população, mas as pessoas em zonas sob cerco ou de difícil acesso continuam sem receber a assistência de que necessitam devido a barreiras políticas e militares.

No dia 5 de março, um comboio chegou a Duma, na Ghouta Oriental. Contudo, bombardeios em curso forçaram caminhões a deixar o local antes que metade dos alimentos tivesse sido descarregada. Tentativas de retorno não foram bem-sucedidas.

“Mesmo durante uma guerra, existem regras que todos os lados devem respeitar. Na Síria, até mesmo a opção de fugir das áreas de conflito para locais mais seguros em outras partes do país está diminuindo. O acesso humanitário aos que precisam de ajuda deve ser garantido. É preciso assegurar o direito de buscar refúgio e a infraestrutura, como hospitais e escolas, deve ser protegida a todo custo”, disse Grandi.

Para os milhões de sírios vivendo na Turquia, no Líbano, na Jordânia, no Egito e no Iraque, o sonho do retorno para a terra natal ainda é uma realidade distante. “Com conflitos ainda violentos em partes da Síria, os refugiados estão muito assustados para retornar”, acrescentou o alto-comissário.

Na avaliação do ACNUR, a segurança precisa melhorar consideravelmente antes que os retornos possam de fato acontecer.

Pobreza e refúgio

A maioria dos refugiados sírios em países vizinhos vive abaixo da linha da pobreza. Mais de três quartos dos refugiados nas áreas urbanas da Jordânia e do Líbano são incapazes de suprir suas necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde e educação.

A proporção de crianças refugiadas na escola aumentou nos últimos anos. No entanto, 43% do 1,7 milhão de refugiados sírios em idade escolar não frequentam um centro de ensino. Os sistemas nacionais de educação pública nos países de acolhimento estão tendo de criar segundos turnos para acomodar estudantes sírios e precisam de mais apoio.

“Embora o foco esteja na devastação dentro da Síria, não devemos esquecer do impacto nas comunidades de acolhimento nos países vizinhos e do efeito que tantos anos de exílio têm sobre os refugiados”, ressaltou Grandi. “Enquanto não houver uma solução política para o conflito, a comunidade internacional deve intensificar seu investimento nos países de acolhimento.”

O alto-comissário frisou que a próxima Conferência Internacional sobre Apoio ao Futuro da Síria e da Região, prevista para acontecer em Bruxelas nos dias 24 e 25 de abril, deve resultar em promessas firmes de auxílio financeiro e assistência para o desenvolvimento.

Ao longo dos anos, as contribuições dos doadores têm sido generosas, mas são necessários mais recursos. Em dezembro do ano passado, as agências da ONU e cerca de 270 ONGs lançaram o Plano Regional de Refugiados e Resiliência de 2018, uma estratégia de 4,4 bilhões de dólares destinada a ajudar tanto os refugiados quanto os membros das comunidades que os acolhem. Em 2017, a resposta internacional recebeu apenas metade do financiamento necessário.

O alto-comissário esteve nesta sexta-feira no Líbano, onde passou três dias se reunindo com funcionários do governo e com alguns dos quase 1 milhão de refugiados sírios registrados que vivem no país.

O dirigente elogiou a generosidade do país em acolher quase o mesmo número de sírios que todo o continente europeu, mas fez um alerta em relação ao apoio internacional inadequado, um problema responsável por aumentar a vulnerabilidade entre os refugiados e as comunidades onde vivem.


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