Guerra na Síria ‘cobra preço muito caro’ da educação do país, alerta chefe da ONU

Em visita a Portugal, secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conheceu refugiados sírios que continuam estudando mesmo no exílio. Número de jovens que buscam educação após fugirem da Síria é pequeno, alertou.

Crianças sírias encontram abrigo no campo de Tishreen, em Alepo. Foto: UNICEF / Razan Rashidi

Crianças sírias encontram abrigo no campo de Tishreen, em Alepo. Foto: UNICEF / Razan Rashidi

Em visita a Portugal,  na semana passada, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, reuniu-se com um grupo de estudantes sírios residentes em Lisboa e ressaltou que a única solução sustentável para a crise da educação na Síria é o fim da guerra ‘’terrível’’ que assola o país.

No encontro, o dirigente máximo da ONU elogiou os jovens sírios por sua força e resiliência. Segundo o secretário-geral, apenas uma pequena porcentagem dos estudantes sírios refugiados continua a sua educação no exílio — o que está “cobrando um preço muito caro” do sistema educacional da Síria.

“A educação é vital para o futuro das pessoas e de um país”, frisou. “Ela desencadeia a inovação e o empreendedorismo, que são importantes para as atividades econômicas e para a criação de emprego que, por sua vez, são essenciais para a estabilidade e para o desenvolvimento sustentável de longo prazo.”

Um relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou que 462 milhões de crianças em idade escolar vivem em países afetados por crises humanitárias.

Aproximadamente uma em cada seis  — ou 75 milhões — de jovens de 3 a 18 anos são classificadas como tendo profundas necessidades de apoio educacional. No entanto, em média, apenas 2% dos recursos humanitários globais são dedicados à educação.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon se encontrou com refugiados sírios residentes em Lisboa. Foto: ONU / Mark Garten

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon se encontrou com refugiados sírios residentes em Lisboa. Foto: ONU / Mark Garten

“Estou muito triste e chocado com tudo o que estamos vendo na Síria — a enorme perda de vidas, a destruição maciça e o deslocamento de pessoas”, acrescentou o secretário-geral.

Para Ban Ki-moon, a Cúpula Mundial Humanitária — que acontece em Istambul ao final deste mês — será uma ótima oportunidade para discutir a importância da educação em situações de emergência.

Durante o encontro, o secretário-geral agradeceu ao ex-presidente de Portugal, Jorge Sampaio, pela idealização da Plataforma Global de Apoio aos Estudantes Sírios, fundada em 2013, e por sua liderança e compromisso de longa data com a construção de ‘’pontes de compreensão e inclusão entre as comunidades ao redor do mundo”.

Ban Ki-moon recebeu medalha de honra de Portugal

Ban Ki-moon recebe a condecoração "Ordem da Liberdade" do presidente português Marcelo Rebelo de Sousa. Foto: ONU / Mark Garten

Ban Ki-moon recebe a condecoração “Ordem da Liberdade” do presidente português Marcelo Rebelo de Sousa. Foto: ONU / Mark Garten

No último dia da sua visita a Portugal, Ban Ki-moon recebeu do presidente português Marcelo Rebelo de Sousa a medalha “Ordem da Liberdade” por seus serviços notáveis em prol da democracia e da liberdade global.

Durante a entrega da homenagem, o secretário-geral expressou seu apreço pela postura positiva de Portugal quanto às chegadas de refugiados e migrantes à Europa. Ban também ressaltou a necessidade de se chegar a um acordo sobre a partilha equitativa das responsabilidades entre os Estados-membros diante da crise migratória.

Em reunião com o presidente da Assembleia de Portugal, Eduardo Ferro Rodrigues, o chefe da ONU também chamou a atenção para a importância de o país ratificar rapidamente o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.