Guatemala: ONU pede que julgamento de ex-presidente e ex-chefe de inteligência siga sem interferências

Processo judicial foi suspenso no dia 18 de abril, mas foi considerado ilegal pelos juízes que supervisionam o caso. Cerca de 200 mil pessoas foram mortas ou desapareceram no conflito de 36 anos.

O Assessor Especial das Nações Unidas sobre a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng. Foto: ONU/Rick Bajornas

O Assessor Especial das Nações Unidas sobre a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng. Foto: ONU/Rick Bajornas

O Assessor Especial das Nações Unidas sobre a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, pediu na terça-feira (23) que as autoridades judiciais na Guatemala garantam que os processos contra o ex-chefe de Estado Efraín Ríos Montt e o ex-chefe de inteligência José Mauricio Rodríguez Sánchez continuem sem interferência. Eles são acusados de atrocidades cometidas há 30 anos no país.

“Faço um apelo às autoridades judiciais para agir com responsabilidade e evitar qualquer tentativa de interferência, obstrução da justiça ou manipulação da lei, o que comprometeria seriamente a credibilidade do sistema judicial na Guatemala”, disse Dieng.

Os dois são acusados de cometer genocídio e crimes contra a humanidade por seu papel na guerra civil da Guatemala, que durou de 1960 a 1996. Durante o conflito, é estimado que 200 mil pessoas foram mortas ou desapareceram.

Apesar das acusações, no dia 18 de abril, um juiz de primeira instância pediu a anulação do julgamento — uma decisão considerada ilegal pelo painel de juízes que supervisionam o processo. O julgamento foi suspenso até que o Tribunal Constitucional do país determine se ele pode continuar.

“As vítimas das atrocidades cometidas durante a guerra civil na Guatemala e suas famílias aguardaram muitos anos por justiça. Espero que elas não tenham que continuar a esperar”, completou Dieng.