Grupos palestinos e Israel podem ter cometido crimes de guerra, afirma novo relatório da ONU

“A extensão da devastação e sofrimento humano em Gaza foi sem precedentes e terá impacto sobre as gerações vindouras”, afirmou a presidente da Comissão de Inquérito sobre o Conflito de Gaza de 2014, Mary McGowan Davis.

Crianças em Gaza que hoje têm seis anos já sofreram, em sua curta vida, três conflitos. Foto: UNRWA

Crianças em Gaza que hoje têm seis anos já sofreram, em sua curta vida, três conflitos. Foto: UNRWA

A Comissão Independente de Inquérito da ONU sobre o Conflito de Gaza de 2014 divulgou, nesta segunda-feira (22), um relatório no qual sugere que possíveis crimes de guerra foram cometidos por grupos armados palestinos e pelo  durante o conflito de 51 dias, que resultou em mais de mil mortes e a destruição generalizada da Faixa de Gaza.

“A extensão da devastação e sofrimento humano em Gaza foi sem precedentes e terá impacto sobre as gerações vindouras”, afirmou a presidente da Comissão, Mary McGowan Davis, durante uma coletiva de imprensa realizada no escritório da ONU em Genebra (Suíça). “Em Israel existe um medo permanente nas comunidades que estão sob ameaça regular.”

De acordo com as conclusões do relatório, as forças israelenses realizaram mais de 6 mil ataques aéreos contra Gaza e disparam cerca de 50 mil tiros de tanques e outro tipo de artilharia para dentro do enclave. A força usada por Israel resultou em 1.462 mortes de civis palestinos, um terço dos quais eram crianças.

Além disso, os combates em Gaza também provocaram a destruição maciça de infraestruturas civis que deixaram mais de 100 mil moradores que ainda estão desabrigados, de acordo com estimativas recentes da ONU.

Grande parte da destruição, observa o relatório da ONU, pode ser atribuída à utilização de armas com amplo poder de destruição e morte por Israel, particularmente nas áreas densamente povoadas de Gaza, onde a destruição e o número de vítimas era muito provável.

Ao mesmo tempo, a Comissão informou que militantes dispararam 4.881 foguetes e 1.753 morteiros contra Israel em julho e agosto do ano passado, matando seis civis e ferindo pelo menos 1.600 pessoas.

Devido à duração do combate em Gaza, que se estendeu durante todo o verão de 2014, o seu impacto também repercutiu em toda a região, espalhando o terror entre civis israelenses e levando a explosões de violência na Cisjordânia, onde 27 palestinos foram mortos e 3.020 ficaram feridos em confrontos com as forças de segurança israelenses.

“Apenas esperamos que nosso relatório contribua de alguma maneira para acabar com o ciclo de violência”, afirmou Davis.