Grupos em conflito no Sudão do Sul não podem impedir acesso da assistência humanitária, diz ONU

Cerca de 91 incidentes relacionados ao acesso humanitário de diferentes agências foram registrados dos dias 1º a 28 de novembro. Desse número, 64 ocorrências envolveram violência contra agentes humanitários ou bens. Outros 18 casos incluíram interferência na ação humanitária, como intromissão em assuntos administrativos, tributação ilegal ou arbitrária e expulsão de pessoal.

Parceiros humanitários prestando assistência em Wau, no Sudão do Sul. Foto: OCHA/Gemma Connell

Parceiros humanitários prestando assistência em Wau, no Sudão do Sul. Foto: OCHA/Gemma Connell

Expressando preocupação com obstáculos burocráticos e restrições de acesso a operações de socorro no Sudão do Sul, o coordenador humanitário da ONU para o país, Eugene Owusu, pediu na quarta-feira (30) que todas as partes envolvidas no conflito permitam o acesso livre e seguro de agências de assistência às pessoas em necessidade.

“Organizações humanitários no Sudão do Sul estão se esforçando diariamente para salvar vidas e aliviar o sofrimento de milhares de pessoas em todo o país. No entanto, elas continuam enfrentando obstáculos e desafios que entravam os seus esforços. Isso tem de parar”, disse Owusu, em comunicado emitido pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

De acordo com a agência da ONU, cerca de 91 incidentes relacionados ao acesso humanitário de diferentes organismos foram registrados dos dias 1º a 28 de novembro. Desse número, 64 ocorrências — mais de 70% — envolveram violência contra agentes humanitários ou bens. Outros 18 casos incluíram interferência na ação humanitária, como intromissão em assuntos administrativos, tributação ilegal ou arbitrária e expulsão de pessoal.

Também em novembro, profissionais tiveram o acesso negado a áreas fora de Yei, no sul do país, e em Wau, no oeste do estado de Bahr el Ghazal, onde dezenas de milhares de pessoas precisam de assistência e proteção.

O coordenador humanitário também comentou as medidas tomadas pelo governo sul-sudanês para enfrentar os problemas, incluindo a criação de um comitê de supervisão humanitária de alto nível.

“Os incidentes recentes são verdadeiros desafios. Compromissos necessários precisam ser traduzidos em melhorias reais, tangíveis e imediatas no ambiente operacional dos trabalhadores humanitários nas linhas de frente da ação humanitária”, alertou.

A OCHA informou ainda que as necessidades do país continuam se elevando devido ao conflito e ao declínio econômico. Estimativas indicam que 1,1 milhão de pessoas fugiram para países vizinhos desde que os primeiros combates no país eclodiram, em dezembro de 2013.