Grupo de mulheres rurais impulsiona igualdade de gênero em cooperativa agrícola

Na busca por aumentar sua participação nas decisões da cooperativa de agricultores familiares da região onde vivem, um coletivo de mulheres decidiu somar forças e formaram, em 2006, o grupo Mulheres Organizadas em Busca de Igualdade (MOBI).

Elas são celebradas no contexto da campanha ‘Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos’, que promove, entre 1º e 15 de outubro, uma mobilização para valorizar a contribuição das trabalhadoras do campo no cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

No Brasil, a campanha é coordenada pela Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil; ONU Mulheres; Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (REAF); e a Direção-Geral do Desenvolvimento Rural do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai.

Trabalhando aliadas à agricultura orgânica, as mulheres do grupo MOBI também promovem a preservação do meio ambiente. Foto: David Greenwood-Haigh/CC.

Trabalhando aliadas à agricultura orgânica, as mulheres do grupo MOBI também promovem a preservação do meio ambiente. Foto: David Greenwood-Haigh/CC.

Na busca por aumentar sua participação nas decisões da cooperativa de agricultores familiares da região onde vivem, um coletivo de mulheres decidiu somar forças e formaram, em 2006, o grupo Mulheres Organizadas em Busca de Igualdade (MOBI).

Apesar de estarem presentes na Cooperativa de Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam) desde sua fundação, na década de 1990, a participação das mulheres nas tomadas de decisões era limitada, pois não se reconhecia o trabalho feminino na agricultura nem o trabalho doméstico como sendo o suficiente para possuírem o status de “cooperadas”.

A história do grupo começou quando uma das mulheres perdeu repentinamente seu esposo e teve que assumir a propriedade e a geração de renda da família. Enfrentando o desafio de conciliar o trabalho rural com o cuidado da casa e dos filhos, a trabalhadora uniu-se às amigas para que nenhuma delas estivesse sozinha nos espaços da cooperativa.

Foi assim que elas começaram a se reunir de diferentes formas: convocando mais mulheres para trabalhar em atividades distintas, como a produção de doces, além de organizarem debates sobre a vida cotidiana de suas famílias.

Atualmente, o grupo é formado por cerca de 30 mulheres, entre cooperadas e colaboradoras, que têm aberto portas para que outras mulheres entrem na Coopfam.

Depois da formalização do grupo, têm sido desenvolvidas atividades sobre empoderamento das mulheres, autonomia econômica, organização social e o papel delas na agricultura familiar. O resultado é que hoje as mulheres ocupam espaços de tomada de decisão na cooperativa, como o Conselho Fiscal, a Mesa Diretora, e a própria Presidência que, atualmente, está nas mãos de uma mulher.

Oportunidades para as mulheres do campo

Desde a criação do Grupo MOBI, algumas iniciativas foram fundamentais para ajudar a impulsionar a atuação das mulheres rurais. Em 2012, a Coopfam lançou o Café Orgânico Feminino, uma linha de café para dar protagonismo e visibilidade às mulheres do grupo que praticam agricultura orgânica.

A fim de agregar também as mulheres que se dedicam à produção de café convencial, a Coopfam lançou mais tarde, em 2018, o Café Feminino Sustentável.

No âmbito das parcerias, o grupo também já recebeu apoio de agentes sociais importantes. Em 2014, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) promoveu um projeto para fortalecer a identidade do Grupo MOBI.

A partir dessa parceria, as mulheres construíram seu regimento interno e realizaram cursos de artesanato voltados para geração de renda. Além das produtoras dos grãos, participaram do projeto artesãs que produzem peças sustentáveis a partir de subprodutos do café.

Em 2015, outro projeto do Instituto foi responsável por instalar estufas para a produção de rosas orgânicas nas propriedades das mulheres. Desde então, muitas têm dado continuidade às atividades, desenvolvendo outros produtos como licores de rosas, geleias e pudins como alternativa de renda.

Neste ano, o grupo inaugurou a Certificação Participativa do Café Feminino, com uma proposta que se baseia na metodologia do sistema participativo para a garantia da qualidade orgânica.

Isso significa que as mulheres do grupo visitam umas as outras para trocarem experiências e validarem a participação feminina em todas as etapas da produção do café: do plantio ao manejo da lavoura; na pré-colheita, colheita e pós-colheita; e na gestão e comercialização dos produtos.

Mulheres rurais e a economia familiar

Por meio de seus projetos e ações, as mulheres envolvidas no grupo MOBI beneficiam suas famílias e sua comunidade. Os projetos desenvolvidos geram trabalho, renda e contribuem para a prosperidade da economia familiar.

Trabalhando aliadas à agricultura orgânica, elas também promovem a preservação do meio ambiente. Já os espaços de formação possibilitam um intercâmbio de experiências, que se aplicam nas práticas de cada propriedade rural e valorizam o conhecimento das mulheres.

Além disso, também se destacam os aspectos subjetivos da convivência que é formada a partir do coletivo. As mulheres reunidas em grupo são amigas, compartilham momentos de alegria, tristeza e dor.

Mas, sobretudo, compartilham o desejo de obterem um maior reconhecimento de sua organização e uma maior participação feminina nos espaços de decisão. É isso o que almeja a cafeicultora Rosinei Margarete Gonçalves, de 42 anos.

“Sou produtora de café orgânico, sou dona de casa. Eu vou para a lavoura e tenho todo o serviço da família para organizar em casa. Tem os dias de curso, de viagens e de reuniões que eu saio para fazer, mas tenho que programar todas as atividades; da lavoura, do serviço doméstico, para depois sair”, comentou.

Apesar da intensidade do trabalho, Rosinei se orgulha das atividades que desenvolve e faz um chamado: “Mulheres, vamos batalhar para valorizar o nosso trabalho”.

Campanha ‘Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos’

Campanha ‘Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos’ tem como objetivo destacar o trabalho promovido por pescadoras, agricultoras, extrativistas, indígenas e afrodescendentes. Imagem: FAO.

Campanha ‘Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos’ tem como objetivo destacar o trabalho promovido por pescadoras, agricultoras, extrativistas, indígenas e afrodescendentes. Imagem: FAO.

De 1º a 15 de outubro de 2019, a Campanha Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos promove 15 dias de mobilização para valorizar a contribuição das trabalhadoras do campo com o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionadas à igualdade de gênero (ODS 5) e ao fim da pobreza rural (ODS 1 e 2).

O tema norteador desta quinzena ativista é “O futuro é junto com as mulheres rurais”, e é promovido nas redes sociais com a hashtag #JuntoComAsMulheresRurais.

O principal objetivo da campanha é destacar o trabalho promovido por pescadoras, agricultoras, extrativistas, indígenas e afrodescendentes.

No Brasil, a campanha é coordenada pela Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil; ONU Mulheres;  Reunião Especializada sobre Agricultura Familiar do Mercosul (Reaf); e a Direção-Geral do Desenvolvimento Rural do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai.