Governos endossam plano apoiado pela ONU para combater câncer, diabetes e outras doenças

Líderes globais se comprometeram nesta semana a adotar medidas audaciosas para combater as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), que incluem doenças cardíacas e pulmonares, cânceres e diabetes, e que são as que mais matam no mundo, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quinta-feira (19).

Foto: Banco Mundial/Aisha Faquir

Foto: Banco Mundial/Aisha Faquir

Líderes globais se comprometeram nesta semana a adotar medidas audaciosas para combater as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), que incluem doenças cardíacas e pulmonares, cânceres e diabetes, e que são as que mais matam no mundo, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quinta-feira (19).

Na quarta-feira (18), governos de diversos países aprovaram o Quadro de Referência de Montevidéu 2018-2030 sobre as DCNT como uma prioridade de desenvolvimento sustentável na abertura de conferência global de três dias na capital uruguaia, organizada pela OMS e pela presidência do país.

“É chocante ver que a crescente incidência de doenças como câncer e a diabetes está acometendo pessoas com menos acesso a assistência médica”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A promessa segue o acordo de líderes mundiais para reduzir em um terço as mortes prematuras por DCNT até 2030, como parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Atualmente, essas doenças matam 40 milhões de pessoas por ano, mais do que qualquer outra causa de morte. Dessas, 15 milhões ocorrem prematuramente entre pessoas de 30 a 70 anos e 7 milhões ocorrem nos países de baixa e média renda.

“Os governos devem se comprometer com a prevenção dessas doenças em primeiro lugar, garantindo que as pessoas possam ter acesso a serviços para tratá-las”, acrescentou. “O fracasso em fazer isso impõe custos enormes para indivíduos e comunidades. Isso contradiz totalmente os compromissos globais em relação ao desenvolvimento sustentável”.

O Quadro de Referência de Montevidéu destaca a necessidade de ações coordenadas e coerentes de todos os setores e de toda a sociedade, uma vez que muitos dos principais motores da saúde estão fora do controle de ministérios, sistemas e profissionais de saúde. Os atores não estatais, incluindo a sociedade civil e a indústria, desempenham papéis importantes.

Além da necessidade de melhorar o diagnóstico e o tratamento de doenças, o Quadro de Referência também indica que a maior parte das mortes por DCNT poderia ter sido evitada por iniciativas como combate ao tabaco, a dietas pouco saudáveis e ao uso prejudicial de álcool.

Entre os desafios identificados, estão os progressos desiguais e insuficientes para reduzir os óbitos prematuros provocados por DCNT; a influência do setor privado nos governos para priorizar o comércio em detrimento de objetivos de saúde pública; e a falta de liderança política de alto nível para garantir que a promoção da saúde e a prevenção e controle das doenças sejam parte de todas as áreas da política governamental.

Adhanom, que anunciou na última semana o lançamento de uma nova comissão de alto nível da OMS sobre DCNT, acrescentou: “esta conferência é uma oportunidade fundamental para acelerar os esforços para superar as doenças crônicas não transmissíveis”. “Devemos estar preparados para conversas difíceis e para enfrentar ações ousadas”.

“Um passo vital é que todos os países sigam pioneiros, como o Uruguai, ratificando o protocolo para eliminar o comércio ilícito de produtos de tabaco”, acrescentou. “Garantir que este protocolo possa entrar em vigor no próximo ano é fundamental para promover o impacto da Convenção-Quadro da OMS sobre Controle do Tabaco”.

O Quadro de Referência de Montevidéu orientará os preparativos globais da terceira reunião de alto nível da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre as DCNT no ano que vem, que avaliará o progresso no cumprimento do objetivo de reduzir as mortes prematuras de DCNT em 25% até 2025 e em um terço até 2030.