Governos e setor privado latino-americanos precisam reforçar empoderamento econômico de mulheres negras

Na ocasião do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, a vice-presidenta da Costa Rica, Epsy Campbell, e duas especialistas negras em setor privado lembraram a importância da inclusão econômica de mulheres negras na região.

Por meio de vídeos, gravados para o programa regional Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios, gerido por ONU Mulheres e Organização Internacional do Trabalho (OIT) e financiado por União Europeia em Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Jamaica e Uruguai, elas chamam governos e setor privado a reforçar as iniciativas de empoderamento econômico das mulheres negras.

As mulheres negras no Brasil sofrem sucessivas discriminações, baseadas em racismo, sexismo e outras formas de opressão. Foto: EBC

As mulheres negras no Brasil sofrem sucessivas discriminações, baseadas em racismo, sexismo e outras formas de opressão. Foto: EBC

Na ocasião do Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, a vice-presidenta da Costa Rica, Epsy Campbell, e duas especialistas negras em setor privado lembraram a importância da inclusão econômica de mulheres negras na região.

Por meio de vídeos, gravados para o programa regional Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios, gerido por ONU Mulheres e Organização Internacional do Trabalho (OIT) e financiado por União Europeia em Argentina, Brasil, Chile, Costa Rica, Jamaica e Uruguai, elas chamam governos e setor privado a reforçar as iniciativas de empoderamento econômico das mulheres negras.

A vice-presidenta da Costa Rica, Epsy Campbell, menciona o sentido político da data. “É um dia para reconhecer o aporte que as mulheres negras nos dão no desenvolvimento das nossas comunidades, dos nossos países e do mundo inteiro. É um dia para debater sobre as lacunas existentes em nossa realidade. É um dia para construir democracias inclusivas, solidárias e sem discriminação.”

De acordo com Campbell, a liderança do movimento de mulheres negras tem sido decisiva para fazer avançar debate político, respostas de países e compromissos de empresas e sociedades com o fim do racismo.

“As mulheres negras garantiram o desenvolvimento das comunidades negras. Mas também são as mulheres negras que deram um passo à frente para lutar contra o racismo, a discriminação racial e todas as formas de discriminação”, declarou.

Para a autoridade costarriquense, a situação de exclusão das mulheres negras na América Latina e Caribe requer mais resposta do poder público à proteção e à garantia de direitos.

“Temos que assumir compromissos, como sempre temos feito, de continuar este percurso por direitos humanos, igualdade e justiça para entregar às gerações futuras um mundo cheio de inclusão, em que todas as pessoas sejam tratadas iguais. E no qual as meninas negras tenham, desde o momento em que nascem, a certeza de poder se realizar como pessoas, de cumprir os seus sonhos e ter garantidos todos os seus direitos.”

Liderando a Rede Mulher Empreendedora – primeira e maior plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino do Brasil – e o Instituto Rede Mulher Empreendedora, Ana Fontes avalia que a situação das mulheres afro-latino-americanas não melhorou, e é preciso mais ação.

A compreensão das sucessivas discriminações que recaem sobre as mulheres negras, baseadas em racismo, sexismo e outras formas de opressão, é determinante para a busca de soluções que impeçam a continuidade das exclusões que impedem ou limitam direitos econômicos, empoderamento econômico e trabalho decente para as mulheres negras.

Ana Bavon, sócia-fundadora da consultoria B4People, afirma que um dos avanços percebidos na região nos últimos anos é o reconhecimento da diversidade das mulheres latino-americanas.

“Finalmente, compreendemos a multiplicidade e diversidade da mulher latino-americana. E as empresas compreendem essa realidade. Precisamos de ferramentas diferentes para avançar. Os pontos de partida são variados, e a nossa realidade se confunde entre toda a diversidade que compõe o nosso continente”, assinala.

Segundo Bavon, uma das melhores práticas é a interseccionalidade como uma metodologia de trabalho, para entender como gênero, raça e classe estão interconectados e como fazer para que todas as mulheres possam avançar.

“É necessário avaliar e entender como outras organizações avançaram juntando-se a associações que assinam os WEPs [Princípios de Empoderamento das Mulheres] e trabalham em conjunto com organizações como a ONU Mulheres.”

Outro ponto destacado por Bavon é o empoderamento de mulheres nas empresas. “Uma boa prática é promover líderes femininas e entender que o abismo social somente será superado quando tomarmos consciência de nosso poder de transformação.”

“Pesquisas ativas e atração de talentos específicos são uma boa maneira de promover a liderança feminina e garantir que a igualdade de gênero seja alcançada por todas as mulheres na América Latina”, finaliza.

O 25 de julho é data de mobilização desde 1992, quando foi realizado o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, em Santo Domingo, na República Dominicana, que também estabeleceu a criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas, Afro-caribenhas e da Diáspora.

O Dia Internacional tem como finalidade promover e fortalecer a ação política das mulheres negras da região junto ao poder público por ações concretas para a eliminação do racismo e do sexismo.

No Brasil, a data é parte do calendário oficial desde 2014 por meio da Lei nº 12.987/2014, resultado da articulação do movimento de mulheres negras, e celebra Tereza de Benguela, liderança quilombola contra a escravização de mulheres e homens africanos e afro-brasileiros.

Neste contexto, o mês de julho é considerado um período de intensas atividades políticas, formativas e culturais para visibilizar as trajetórias e as contribuições das afro-latino-americanas e caribenhas.

Criadora da Feira Preta, Adriana Barbosa é homenageada pela Turma da Mônica

Lembrando o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, a Mauricio de Sousa Produções homenageou Adriana Barbosa, criadora da Feira Preta, uma iniciativa de fomento a empreendimentos criados por negras e negros no Brasil.

Representada pela personagem Milena, Barbosa é a nova homenageada do projeto Donas da Rua da História, uma ação da Maurício de Sousa Produções para os Princípios de Empoderamento das Mulheres – plataforma de ONU Mulheres e Pacto Global que resgata a trajetória de mulheres que marcaram a humanidade com suas ações.

Formada em gestão de eventos, Barbosa iniciou sua carreira em 1995, na área de Comunicação, com trabalhos em emissoras de rádio, produtoras de TV e gravadoras.

Ao longo das últimas décadas, ela notou o aumento do poder de compra dos afrodescendentes no Brasil e, em 2002, criou a maior feira negra do Brasil.

A plataforma tem como objetivo promover as iniciativas afroempreendedoras de diversos segmentos e, com o sucesso, se transformou em 2019 no PRETAHUB.

Toda a estrutura desenvolvida foi resultado de 18 anos de iniciativas do Instituto Feira Preta no trabalho de mapeamento, capacitação técnica e criativa, aceleradora e incubadora do empreendedorismo negro no Brasil.

Além do posto de Dona da Rua da História, Barbosa recebeu outras homenagens, tendo sido vencedora da categoria Empreendedorismo e Negócios do Prêmio CLAUDIA 2019, do Troféu Grão do Prêmio Empreendedor Social promovido pela Folha de S. Paulo, do Prêmio Estado de São Paulo para as Artes, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, na categoria cultura urbana, e, ainda, é parte do time de fellows de líderes globais da Fundação Ford.

O projeto Donas da Rua e outras Donas da Rua da História podem ser conferidos no site: http://turmadamonica.uol.com.br/donasdarua/ddr-da-historia.php 

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