Governos devem assumir a saúde dos idosos como prioridade, afirma Navi Pillay

Para Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, o envelhecimento da população mostra a urgência de um sistema de proteção social.


O mundo deve ter dois bilhões de pessoas com mais de 60 anos em 2050, o equivalente a mais de um quinto da população. Para a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, discriminação contra idosos deveria figurar entre as questões políticas mais prementes para governos e sociedades.

“Infelizmente, preconceito contra o idoso e estigmatização (conhecido como ageísmo) são consistentemente relatados no mundo todo”, disse Pillay no Painel do Conselho de Direitos Humanos sobre o Direito do Idoso à Saúde.

“Saúde está no cerne de todas as questões de direitos humanos quando envelhecemos. Pesquisa mostra que a saúde é a principal preocupação do idoso. Problemas como a falta de diagnóstico ou tratamento adequado, falta de pessoal treinado ou serviços em domicílio, ou dificuldades de acesso à informação confiável são frequentemente citados.”

Pillay citou o relatório do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre o envelhecimento destacando que a idade muitas vezes defines se alguém tem permissão para receber medicamentos, tratamento, dispositivos ou cuidados de longo prazo. Muitos idosos dizem que a idade por si só é tratada como uma doença e que eles são muitas vezes demitidos sem um diagnóstico adequado.

A Alta Comissária destacou a falta de serviços adequados, instalações e cuidados, ou os custos proibitivos, com estimativas apontando que somente 20% dos idosos têm aposentadoria. “Um sistema de proteção social é crucial e os Estados são obrigados a alocar recursos e instalações suficientes para lidar com essa demanda agora e se preparar para o futuro. Necessidades exclusivas dos idosos devem ser incorporadas aos sistemas nacionais de saúde, especialmente em países de baixa e média renda.”