Governo do Japão anuncia apoio ao Fundo de População da ONU para resposta ao zika

Recursos apoiarão trabalho do UNFPA em nível regional com mulheres e adolescentes em idade reprodutiva ou que estejam grávidas.

No Brasil, ações estarão concentradas nas regiões mais afetadas pelo zika, Bahia e Pernambuco, e vão beneficiar principalmente mulheres e adolescentes afrodescendentes em situação de maior vulnerabilidade social.

Foto: Marcelo Casal /ABr

Foto: Marcelo Casal /ABr

O governo do Japão se uniu ao Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para o enfrentamento da epidemia de vírus zika na América Latina e o Caribe, com foco especial no Brasil.

O país anunciou nesta semana que vai contribuir com o equivalente a 1 milhão de reais para apoiar o trabalho do UNFPA em nível regional com mulheres e adolescentes em idade reprodutiva ou que estejam grávidas, bem como seus parceiros, para melhorar o acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva de qualidade em três países – Brasil, Honduras e Suriname.

Desse montante, cerca de 280 mil reais serão destinados ao Brasil. As ações estarão concentradas nas regiões mais afetadas pelo zika, Bahia e Pernambuco, e vão beneficiar principalmente mulheres e adolescentes afrodescendentes em situação de maior vulnerabilidade social.

O UNFPA e sua rede de organizações parceiras do governo e da sociedade civil irão atuar em nível comunitário para ampliar o acesso à informação sobre direitos e planejamento reprodutivo, incluindo o acesso a contraceptivos para aquelas mulheres que optarem por adiar a gravidez neste momento, evitando assim os riscos associados à microcefalia.

Decisão de engravidar deve ser das mulheres e das famílias

Estima-se que a demanda não atendida por contracepção no Brasil seja em torno de 6%, atingindo aproximadamente 3,5 milhões de mulheres.

Além disso, dados de 2006 – ano em que foi conduzida a última Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) no país – apontam que 28,2% dos nascimentos nos cinco anos anteriores à pesquisa não haviam sido planejados para aquele momento, e que 17% haviam sido indesejados.

A maior parte da demanda não atendida ocorre entre mulheres negras, com baixo nível de escolaridade, e entre as residentes no Norte e Nordeste.

Representantes da Embaixada do Japão em visita ao UNFPA. A partir da esquerda: assessora do Departamento de Assuntos Econômicos da Embaixada, Thiemi Salles; representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal; secretário para Assuntos de Saúde, Terutaka Hiros; ministro Yoshitaka Hoshino; e representante adjunto do UNFPA, Yves Sassenrath. Foto: UNFPA/Ulisses Bigaton

Representantes da Embaixada do Japão em visita ao UNFPA. A partir da esquerda: assessora do Departamento de Assuntos Econômicos da Embaixada, Thiemi Salles; representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal; secretário para Assuntos de Saúde, Terutaka Hiros; ministro Yoshitaka Hoshino; e representante adjunto do UNFPA, Yves Sassenrath. Foto: UNFPA/Ulisses Bigaton

“A decisão de engravidar deve ser das mulheres e das famílias. Mas, caso optem por adiar a gravidez, essas mulheres têm o direito a receber as informações e os contraceptivos necessários sempre e quando precisem fazer uso deles. São insumos que podem ser encontrados gratuitamente nas unidades básicas de saúde”, explicou o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal.

“Vamos trabalhar no apoio ao governo e à sociedade civil para que todas as mulheres interessadas conheçam esses direitos e possam exercê-los.”

Além do acesso a informação e insumos, as atividades incluirão ações de educação em saúde e em direitos para jovens lideranças comunitárias, ações de apoio individual e coletivo entre mulheres adultas e jovens, casais e famílias em caso de gravidez não planejada, ou em casos de infecção durante a gravidez, e promoção da corresponsabilidade masculina no uso do preservativo e na prevenção de gravidez não planejada, respeito à decisão das mulheres e apoio às mulheres durante todo o processo reprodutivo – gravidez, parto e pós-parto.

O projeto prevê também a oferta de informações e materiais de treinamento para profissionais de saúde, em complementação aos materiais já oferecidos pelo Ministério da Saúde e secretarias de Saúde.

A parceria com o governo japonês faz parte do Marco Estratégico de Resposta Global e Plano de Operações Conjuntas para o Zika, iniciativa liderada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) e integrada pelo UNFPA e outras agências da ONU em resposta à emergência nacional e internacional em saúde pública declarada em função da epidemia.

No caso do Brasil, o UNFPA atua em estreita parceria com o Sistema ONU e coordena suas atividades principalmente com a OPAS/OMS e a ONU Mulheres.

O Brasil é o país mais afetado pelo zika na América Latina e Caribe, tendo registrado mais de 5,6 mil casos suspeitos notificados de microcefalia, dos quais 583 foram confirmados e 950 descartados, segundo o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Os demais casos permanecem em investigação.

A primeira reunião de coordenação das ações de implementação dos recursos foi realizada na última quinta-feira (3) no escritório do UNFPA em Brasília e contou com a presença do ministro da Embaixada do Japão, Yoshitaka Hoshino. Ele estava acompanhado por Terutaka Hiros, secretário para Assuntos de Saúde, e Thiemi Salles, assessora econômica do Departamento de Assuntos Econômicos da Embaixada. Eles foram recebidos pelo representante do UNFPA, Jaime Nadal; e pelo representante adjunto, Yves Sassenrath.