Governo da Guiné e OMS testam primeira vacina contra o ebola

Objetivo é criar um “cinturão” de imunidade contra o vírus, mesma estratégia usada para a erradicação da varíola nos anos 1970.

Menino que perdeu parentes para o vírus ebola brinca em um centro em Nzérékoré, na Guiné. Foto: ONU/Martine Perret

Menino que perdeu parentes para o vírus ebola brinca em um centro em Nzérékoré, na Guiné. Foto: ONU/Martine Perret

O governo da Guiné e a Organização Mundial da Saúde (OMS) realizaram esta semana os primeiros ensaios clínicos de uma vacina contra a doença do vírus ebola, em uma aldeia afetada pela epidemia em Baixa Guiné, uma das zonas do país onde há mais casos da doença.

Os testes com a vacina VSV-EBOV, desenvolvida pela Agência de Saúde Pública do Canadá, têm sido muito bem recebidos em uma aldeia rural do município de Coyah, onde a equipe médica chegou no último dia 23 de março, disse a OMS nesta quarta-feira (25) em um comunicado de imprensa.

“Esta operação histórica dá a todos, na Guiné e em todo o mundo, a esperança de que, caso a eficácia e a segurança da vacina sejam demonstradas, em breve teremos uma ferramenta eficaz de saúde pública contra a doença”, disse o representante da OMS na Guiné, Jean-Marie Dangou. “O lançamento da campanha de vacinação na Guiné é certamente um dos passos mais importantes que já foram tomados para desenvolver uma moderna linha de defesa contra o vírus ebola.”

Uma equipe médica especialmente treinada para esta ação, vacinas e equipamentos foram transportados de Conacri para Coyah para vacinar adultos com consentimento, exceto mulheres grávidas que estiveram recentemente em contato com os pacientes do vírus ebola em uma aldeia em Coyah.

“Estamos empenhados em acabar com esta epidemia”, disse o coordenador nacional da Unidade de Coordenação da Luta contra o vírus Ebola, Sakoba Keita, nomeado pelo presidente guineense para o cargo. “Em conjunto com as medidas de controle que estamos implementando com os nossos parceiros, uma vacina segura e eficaz nos permitirá pôr fim a este capítulo desafiador da nossa história e começar a reconstruir nosso país.”

O objetivo da campanha é identificar os pacientes recém infectados e vacinar seus entes queridos para criar um “cinturão de imunidade” em torno deles, impedindo assim a propagação do vírus. Por este motivo, a iniciativa está sendo denominada de “cinturão”.

“Essa mesma estratégia foi um dos fatores-chave para a erradicação da varíola nos anos 1970, e nos permite vacinar todas as pessoas em maior risco”, detalhou Ana Maria Henao Restrepo, coordenadora do teste de vacina contra o ebola da OMS na Guiné. O diretor médico da ONG “Médicos Sem Fronteiras” (MSF), Bertrand Draguez, observou: “Esse teste é voluntário, e a participação no estudo é confidencial, livre e gratuita”.

O Governo guineense apoia plenamente este ensaio clínico da vacina, afirmou a OMS. Em uma carta datada de 20 de março e dirigida aos gestores públicos locais e diretores de unidades de saúde da Guiné, Keita pediu a total cooperação e apoio de todos os agentes públicos locais.

No total, aproximadamente 10 mil pessoas devem ser vacinadas em 190 “cinturões” identificados em um período de 6 a 8 semanas. Os voluntários serão acompanhados por um período de 3 meses. Os resultados preliminares devem estar disponíveis já em julho deste ano.