Gêmeas remam 150 km de Angra ao Rio pela proteção dos oceanos

Cláudia e Kátia Alencar coletaram amostras de água. UERJ deve divulgar relatório de qualidade em uma semana. Iniciativa foi registrada no site do Desafio Mundial do Meio Ambiente, do PNUMA.

Depois de dois dias no mar, remando 150 quilômetros, as gêmeas Cláudia e Kátia Alencar, 41 anos, chegaram na terça-feira (05/06) à Baía de Guanabara. Ex-atletas da seleção brasileira de remo, as ativistas celebraram o Dia Mundial do Meio Ambiente como as primeiras mulheres brasileiras a fazer a travessia Angra dos Reis-Rio de Janeiro em barco a remo para o mar.

Ao longo do percurso, com apoio de instrutora ambiental, as irmãs coletaram dez amostras de água, entregues para pesquisadores do Laboratório de Instrumentação Eletrônica e Análises Técnicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ. A previsão é que o relatório de qualidade seja divulgado em uma semana. A atividade foi registrada no site do Desafio Mundial do Meio Ambiente, promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Praticante da modalidade há mais de 18 anos, Cláudia avalia que a aventura teve um gostinho especial. “Para a gente que viveu o esporte de uma maneira diferente, nas raias, competindo, enfrentar o mar foi o que a gente precisava para ver que nosso caminho é esse; que a gente pode, sim, usar o esporte para disseminar as mensagens de proteção do meio ambiente e, neste momento, a gente se sente fazendo parte dessa imensidão.”

Kátia conta que aprendeu diversas lições, especialmente no trecho de restinga, onde pegaram ventos de até 50 km/h e tiveram de recorrer ao veleiro de apoio. “Não dá para enfrentar a natureza, agora não é hora, em alguns momentos a gente teve que ceder e vir, ceder e vir, porque faz parte. O importante, o nosso maior desafio não era cruzar em si os 150 quilômetros, era a mensagem. Se a gente realmente não parar pra pensar nas consequências, nas responsabilidades e no compromisso de cada um no planeta, não vai ser real. Não é esperar pelos outros, mas fazer.”

A equipe registrou momentos preciosos como o baile de golfinhos na saída de Angra, mas também muitas garrafas jogadas nas praias e voos de urubus em Sepetiba. As cenas serviram para Cláudia e Kátia pedirem a preservação dos mares, tema que será debatido durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

A travessia “Remar para Preservar: Oceanos sem Resíduos”, iniciada na manhã de domingo com um abraço de canoístas à Ilha de Cataguases, foi também uma aventura virtual. Os detalhes de navegação foram transmitidos via satélite para a internet, por meio de um chip colocado no barco de apoio.

O encerramento marcou ainda a XIII Regata Ecológica da Marinha, na qual universitários e alunos da Escola Naval recolheram, em uma hora, 200 kg de lixo que flutuavam na Baía de Guanabara.