Gaza: serviços essenciais estão prestes a ser interrompidos devido à falta de combustível

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Os suprimentos de combustível de emergência fornecidos pelas Nações Unidas para instalações essenciais em Gaza estão se esgotando rapidamente, alertou no domingo (22) um importante oficial de ajuda humanitária da ONU.

“Pelo menos um hospital foi forçado a fechar por algumas horas, e os serviços estão sendo drasticamente reduzidos em outros”, disse Jamie McGoldrick, coordenador humanitário do Território Palestino Ocupado.

Jamie McGoldrick (segundo da esquerda para a direita), vice-coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio e coordenador humanitário para os Territórios Palestinos Ocupados, visita paciente no hospital de Al-Quds, em Gaza (arquivo). Foto: OCHA/Mustafa El Halabi

Jamie McGoldrick (segundo da esquerda para a direita), vice-coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio e coordenador humanitário para os Territórios Palestinos Ocupados, visita paciente no hospital de Al-Quds, em Gaza (arquivo). Foto: OCHA/Mustafa El Halabi

Os suprimentos de combustível de emergência fornecidos pelas Nações Unidas para instalações essenciais em Gaza estão se esgotando rapidamente, alertou no domingo (22) um importante oficial de ajuda humanitária da ONU.

“Pelo menos um hospital foi forçado a fechar por algumas horas, e os serviços estão sendo drasticamente reduzidos em outros”, disse Jamie McGoldrick, coordenador humanitário do Território Palestino Ocupado.

“Dados os apagões contínuos de cerca de 20 horas por dia, se o combustível não chegar imediatamente, a vida das pessoas estará em risco, especialmente a dos pacientes mais vulneráveis, como cardíacos, pacientes em diálise e recém-nascidos em tratamento intensivo”, acrescentou.

A situação humanitária em Gaza — controlada pelo grupo extremista palestino Hamas — foi negativamente afetada por um bloqueio contra o enclave imposto por Israel.

McGoldrick pediu a Israel que ponha fim às restrições que impedem a importação de combustível e que os doadores deem financiamento imediato para combustível de emergência, que deve acabar no início de agosto.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o hospital de Al-Quds, que fornece intervenções médicas que salvam vidas para 150 mil pessoas por ano, incluindo cirurgias de grande porte e terapia intensiva, será forçado a fechar nos próximos dias devido à falta de combustível.

Quatro outros hospitais provavelmente ficarão sem combustível nos próximos três dias, reduzindo significativamente a provisão de serviços médicos essenciais para a população em Gaza.

O Ministério da Saúde palestino já implementou medidas rigorosas de contingência: os hospitais reduziram os serviços de diagnóstico, esterilização e limpeza, aumentando o risco de infecções entre os pacientes.

Os maiores riscos, atualmente, são mais de 2 mil pacientes nos hospitais de Gaza, que dependem de dispositivos elétricos, incluindo recém-nascidos em incubadoras.

Mais de 1,27 milhão de pessoas seriam diretamente afetadas pelo fechamento de hospitais e pela redução na provisão de intervenções de saúde vitais.

Além disso, a redução do funcionamento das instalações de água e saneamento corre o risco de aumentar os surtos de doenças transmitidas pela água.

“Até que soluções mais sustentáveis ​​para a crise de eletricidade em Gaza sejam encontradas, dois passos podem evitar mais devastação no curto prazo”, disse McGoldrick. “Israel precisa deixar combustível e outros suprimentos essenciais entrarem em Gaza e os doadores devem mobilizar recursos para garantir que as instalações essenciais recebam o combustível de que precisam”.

Uma média de 950 mil litros de combustível é distribuída pela ONU a cada mês para cerca de 220 hospitais e clínicas de saúde essenciais; locais de tratamento de água e esgoto; e serviços de coleta de resíduos sólidos.

Chefe da ONU pede que Hamas e Israel evitem outro conflito

Ao expressar profunda preocupação com a recente onda de violência nos arredores de Gaza, o chefe das Nações Unidas pediu no sábado (21) que todos os lados “recuem da beira de outro conflito devastador”.

“Estou muito preocupado com a perigosa escalada da violência em Gaza e no sul de Israel”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado.

“Lamento profundamente as perdas da vidas. É imperativo que todos os lados se afastem urgentemente de outro conflito devastador”, acrescentou.

Em 30 de março deste ano, os palestinos em Gaza — conclave controlado pelo Hamas — iniciaram um protesto em massa contra um bloqueio imposto por Israel desde o início dos anos 1990. As confrontações entre os lados têm aumentado desde então.

Na sexta-feira (20), homens armados palestinos mataram um soldado israelense, e os militares israelenses lançaram dezenas de ataques que mataram três combatentes do Hamas, segundo relatos da imprensa. Um quarto palestino foi morto por tiros israelenses durante um protesto perto da fronteira.

No comunicado, Guterres pediu ao Hamas e a outros militantes palestinos em Gaza que interrompam o lançamento de foguetes e pipas incendiárias ao longo da fronteira do enclave. Ele também disse que Israel deve exercer moderação para evitar inflamar ainda mais a situação.

“Qualquer nova escalada colocará em risco a vida de palestinos e israelenses, aprofundará a catástrofe humanitária em Gaza e prejudicará os esforços atuais para melhorar os meios de subsistência e apoiar o retorno da Autoridade Palestina a Gaza”, disse ele.

O secretário-geral da ONU também encorajou todos a se engajarem com as Nações Unidas, particularmente com seu coordenador-especial, Nickolay Mladenov, trabalhando para encontrar “uma saída para essa situação perigosa”.


Comente

comentários