Gaza: ‘Extensão do cessar-fogo é absolutamente essencial para progresso das negociações’, diz ONU

Após fim da pausa de 72 horas e com reinício de ataques mútuos, o secretário-geral pediu que partes não recorram à violência e voltem à mesa de negociações para estabelecer um cessar-fogo duradouro.

Distribuição de alimentos do PMA em Gaza. Foto: PMA/Ayman Shublaq

Distribuição de alimentos do PMA em Gaza. Foto: PMA/Ayman Shublaq

“O secretário-geral está profundamente decepcionado com as partes envolvidas no conflito em Gaza por não chegarem a um acordo para prorrogar o cessar-fogo de 72 horas nas negociações de paz em Cairo”, disse o porta-voz do secretário-geral da ONU nesta sexta-feira (08). Na declaração, ele também exortou as partes a não recorrerem à violência, mas retornar rapidamente à mesa de negociações em Cairo para estabelecer um cessar-fogo duradouro.

Segundo relatos da mídia, militantes palestinos em Gaza se recusaram a estender o cessar-fogo de 72 horas e voltaram a disparar foguetes contra Israel. Em consequência, Israel também voltou a atacar nesta manhã.

“O secretário-geral condena o novo lançamento de foguetes contra Israel e afirmou ser intolerável mais sofrimento e morte de civis neste conflito”, disse ele. “A extensão do cessar-fogo é absolutamente essencial para o progresso das negociações e para resolver os problemas subjacentes da crise o mais rápido possível”, acrescentou.

Balanço atual da situação em Gaza

Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), durante o cessar-fogo de 72 horas as agências da ONU começaram a avaliar as necessidades e intensificar a entrega de alívio necessário.

Em seu relatório atualizado, o OCHA afirmou que as equipes de resgate encontraram mais corpos em meio aos destroços, aumentando assim o número de mortos para 1.922 palestinos, dos quais 1.407 podem ser de civis e 448 são de crianças. Mais de 9,5 mil pessoas ficaram feridas. Já em Israel, 67 pessoas morreram, destes 64 eram soldados e três civis, incluindo um cidadão estrangeiro.

Até a última quinta-feira (07), cerca de 200 mil pessoas estavam abrigadas em 119 escolas do governo e nas instalações da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). O cessar-fogo também permitiu alguns reparos nos sistemas de eletricidade e água e na infraestrutura de saneamento por parte das autoridades locais, assim como em algumas casas danificadas com os ataques.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) forneceu rações alimentares para 330 mil pessoas abrigadas na UNRWA e em escolas públicas. Além disso, a UNRWA continua a distribuir água para abrigos de emergência e o seu Programa de Saúde Mental da Comunidade tem prestado apoio psicossocial para 73 mil pais e realizado atividades recreativas para 79 mil crianças.