Gaza: Ban Ki-moon pede que últimas horas da trégua sirvam para negociar um cessar-fogo duradouro

Palestinos nos escombros de casas destruídas em Khuzaa, na Faixa de Gaza. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

Com a aproximação do fim do último cessar-fogo de 72 horas em Gaza, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta terça-feira (12) à imprensa que, a não ser que as causas do conflito sejam discutidas e resolvidas pelas partes envolvidas, a violência e atos de vingança voltarão a ditar a relação entre ambos os povos. Na ocasião, ele indicou a falta mútua de vontade política como principal razão para o desacordo sobre um cessar-fogo durável e sustentado na região.

“Eles não estão ouvindo as vozes da comunidade internacional, as preocupações levantadas por mim como secretário-geral e de outros líderes mundiais”, disse Ban.

O secretário-geral da ONU destacou que acredita que as últimas horas antes do fim da pausa humanitária abrem uma brecha para a negociação de um cessar-fogo duradouro, mas que o tempo para isto é bastante limitado. Ele também ressaltou que o dever de Israel de proteger seus cidadãos de ataques do Hamas é inquestionável, mas as consequências do conflito tem levantado sérias preocupações sobre o respeito de Israel pelos princípios da distinção e proporcionalidade. 

“A comunidade internacional se reunirá novamente com os doadores em caráter de emergência para reconstrução da região. Mas eles vão destruir de novo?”, perguntou Ban. “Essa deve ser a última vez”.

Sistema de saúde de Gaza e Hamallah necessita de ajuda urgente dos doadores

Após uma visita à Faixa de Gaza e Ramallah para avaliar os danos causados, o diretor regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Mediterrâneo Oriental, Ala Alwan, alertou sobre a extrema necessidade de apoio de doações para os hospitais e centros de saúde nestas áreas. Segundo dados da OMS, 15 dos 32 hospitais da região foram danificados, além de 18 clínicas emergenciais e 29 ambulâncias.

“O tamanho do dano ao sistema de saúde em Gaza é considerável e requer apoio urgente dos parceiros e doadores”, disse Alwan. “A equipe da OMS em Gaza e Ramallah vêm trabalhando com as autoridades de saúde palestinas de forma integrada na resposta às necessidades imediatas e urgentes para apoiar e sustentar os serviços de saúde de emergência em Gaza durante a crise”, acrescentou.

“Estou particularmente preocupado com o risco de doenças comunicáveis e transmitidas pela água, que, em tais cenários de superlotação, falta de higiene e falta de acesso à água potável, provocam surtos de doenças”, alertou Alwan. “Estes riscos devem ser tratados imediatamente”, acrescentou, em concordância com o diretor de saúde da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), Akihiro Seita, que o acompanhou durante a visita a região.

Situação atual da Faixa de Gaza

Segundo dados da ONU e dos parceiros humanitários na região, cerca de 2 mil palestinos morreram durante os confrontos em Gaza, quase 75% deles eram civis, incluindo 459 crianças. Já em Israel, 67 pessoas foram mortas. No total, mais de 209 mil pessoas estão abrigadas em 88 escolas utilizadas pela ONU para dar suporte humanitário. Pelo menos 100 mil pessoas tiveram suas casas destruídas ou severamente danificadas na região.