Futuro do Iêmen não pode ser construído em cima da impunidade de crimes do passado, diz ONU

Funcionária do alto escalão da ONU convoca o país a garantir que os direitos humanos sejam consagrados na sua constituição e cumpridos durante a transição política.

Vice-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Flavia Pansieri. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Vice-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Flavia Pansieri. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

A vice-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Flavia Pansieri, disse nesta quinta-feira (3) que o futuro do Iêmen não pode ser construído em cima da impunidade de crimes do passado, convocando o país a garantir que os direitos humanos sejam consagrados na sua constituição e cumpridos durante a transição política.

“Peço um esforço extra do presidente e do seu governo para garantir que os direitos humanos não sejam sacrificados em prol da conveniência política. Eles devem ser consagrados na Constituição e as leis do Iêmen efetivamente implementadas”, disse Pansieri em uma coletiva de imprensa em Sanaa, capital do país.

O Iêmen passa por uma transição democrática, com um Governo de Unidade Nacional – liderado pelo presidente Abdrabuh Mansour Hadi Mansour – que chegou ao poder através de uma eleição em fevereiro de 2012.

Em março, foi lançada a Conferência de Diálogo Nacional, que reuniu uma série de atores sociais para consultas que contribuirão para o processo de construção de decisões e abrirão o caminho para as eleições gerais em 2014.

“Lidar com as violações dos direitos humanos que ocorreram em 2011 e até antes é necessário para reconquistar a confiança entre os cidadãos. O Iêmen pode se beneficiar de uma abordagem holística e um programa de justiça de transição abrangente que tenta abordar o legado de violações passadas a fim de virar uma nova página para o país”, disse Pansieri.