Fundo de População da ONU pede mais investimentos nos 165 milhões de jovens da América Latina e Caribe

A América Latina e o Caribe têm hoje aproximadamente 165 milhões de pessoas entre dez e 24 anos de idade, de um total de 658 milhões de habitantes da região. Isso significa que uma em cada quatro pessoas da região é jovem. No caso do Brasil, são 49 milhões de jovens e adolescentes, cerca de 30% do total de latino-americanos e caribenhos nessa faixa etária.

Investir nesta população, garantir que ela tenha acesso à saúde — incluindo à saúde sexual e reprodutiva —, à educação e ao mercado de trabalho é investir no futuro e em sociedades mais produtivas, aponta publicação lançada nesta terça-feira (18) pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

América Latina e Caribe têm população de 165 milhões de jovens de dez a 24 anos de idade, segundo o Fundo de População das Nações Unidas. Foto: EBC

América Latina e Caribe têm população de 165 milhões de jovens de dez a 24 anos de idade, segundo o Fundo de População das Nações Unidas. Foto: EBC

A América Latina e o Caribe têm hoje aproximadamente 165 milhões de pessoas entre dez e 24 anos de idade, de um total de 658 milhões de habitantes da região. Isso significa que uma em cada quatro pessoas da região é jovem. No caso do Brasil, são 49 milhões de jovens e adolescentes, cerca de 30% do total de latino-americanos e caribenhos nessa faixa etária. Investir nesta população, garantir que ela tenha acesso à saúde — incluindo à saúde sexual e reprodutiva —, à educação e ao mercado de trabalho é investir no futuro e em sociedades mais produtivas, aponta publicação lançada nesta terça-feira (18) pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Intitulado 165 milhões de razões: um chamado ao investimento em adolescentes e jovens na América Latina e no Caribe, o documento faz um apelo global para que todas as pessoas, governos e organizações acreditem no potencial da juventude e permitam o alcance de seus direitos e de sua plena capacidade.

O exercício dos direitos das pessoas jovens e adolescentes é fundamental para o Programa de Ação da Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (CIPD), assinado por 179 países em 1994, e para o Consenso de Montevidéu sobre População e Desenvolvimento, firmado em 2013. O Programa de Ação reconhece que a realização desses direitos e o acesso pleno à saúde sexual e reprodutiva só ocorrerão por meio do empoderamento de todos os setores da sociedade, inclusive adolescentes e jovens. Todo indivíduo deve ter a oportunidade de viver uma vida sem discriminações, violências e livre da pobreza.

A publicação 165 milhões aponta que os adolescentes e jovens de hoje têm nível educacional maior e mais acesso à tecnologia do que as gerações anteriores. Eles também são conscientes de seus direitos. Entretanto, muitos ainda têm suas possibilidades de sucesso negadas, com obstáculos que, na América Latina e Caribe, vão desde as poucas perspectivas de emprego (a taxa de desemprego juvenil na região é de 19,5%) às dificuldades de acesso ao ensino médio — apenas 59,4% dos latino-americanos e caribenhos entre 20 e 24 anos concluíram essa etapa da educação formal.

Outro tema abordado pelo relatório é o alto índice de gravidez não intencional na adolescência. Na América Latina e no Caribe, a taxa de gravidez nessa fase da vida é de 62 a cada mil adolescentes entre 15 e 19 anos. O índice do Brasil é igual ao da região.

Além disso, as pessoas jovens são vítimas de violência e de emergências humanitárias que incluem a migração forçada. O documento aponta que 25% das mortes de homens jovens ocorridas na região são por homicídios. Aproximadamente 28 milhões de pessoas da América Latina e Caribe vivem em países distintos daquele em que nasceram.

Outro fator preocupante é a disseminação em larga escala, especialmente nas redes sociais e na Internet, de informações falsas, confusas e conflitantes sobre os mais variados temas, incluindo questões de saúde sexual e reprodutiva.

“Os jovens também são alvos de informações imprecisas, comumente disseminadas de forma irresponsável na Internet, e isso é uma barreira. Jovens com pleno acesso e entendimento da informação, serviços e insumos em saúde, inclusive saúde sexual e reprodutiva, fazem escolhas mais conscientes e desenvolvem habilidades para a vida que contribuem para sociedades mais prósperas”, afirma a representante auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, Júnia Quiroga.

Permitir que as pessoas jovens exerçam seus direitos implica garantir saúde e direitos sexuais e reprodutivos e equipá-las com conhecimentos válidos, combatendo as fake news, possibilitando que elas tomem decisões informadas sobre seus corpos e suas vidas e que participem do desenvolvimento completo de suas sociedades. Só assim, de acordo com o UNFPA, será possível para os adolescentes e jovens alcançar seu pleno potencial.

O documento completo está disponível (em espanhol) no site do UNFPA: http://bit.ly/165milhoes

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) é a agência de desenvolvimento internacional da ONU que trata de questões populacionais. Desde sua criação, tem sido um ator-chave nos programas de desenvolvimento populacional. Os principais objetivos do UNFPA são ampliar as possibilidades de mulheres e jovens levarem uma vida sexual e reprodutiva saudável, acelerar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva, incluindo ao planejamento familiar voluntário e à maternidade segura, e a busca da efetivação dos direitos e oportunidades para as pessoas jovens.

Atendimento à imprensa:
Rachel Quintiliano – oficial de Comunicação, Gênero, Raça e Etnia do UNFPA no Brasil — quintiliano@unfpa.org / (61) 3038-9261
Fabiane Guimarães — assistente de Comunicação do UNFPA no Brasil — fguimaraes@unfpa.org / (61) 30389246