Fundo da ONU distribui kits de higiene e itens básicos a pessoas venezuelanas em Roraima

Quando entrou pela primeira vez no Espaço Amigável do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Boa Vista (RR), a venezuelana Jacqueline Pereira, de 41 anos, lamentou sua situação. Recém-chegada ao país, ela não tinha quase nenhuma roupa extra e vivia em situação de rua.

“Não estou acostumada a andar assim, suja”, explicou, chorando. Entregue pela equipe do UNFPA, um kit com artigos de higiene e outros itens básicos foi um alento imediato. Fez o rosto de Jacqueline se iluminar. “Tem até creme para pele e cabelo”, disse.

Jacqueline recebeu um kit de higiene e outros itens básicos da equipe do UNFPA. Foto: UNFPA/Fabiane Guimarães

Jacqueline recebeu um kit de higiene e outros itens básicos da equipe do UNFPA. Foto: UNFPA/Fabiane Guimarães

Quando entrou pela primeira vez no Espaço Amigável do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Boa Vista (RR), a venezuelana Jacqueline Pereira, de 41 anos, lamentou sua situação. Recém-chegada ao país, ela não tinha quase nenhuma roupa extra e vivia em situação de rua.

“Não estou acostumada a andar assim, suja”, explicou, chorando. Entregue pela equipe do UNFPA, o Kit Dignidade, uma bolsa com artigos de higiene e outros itens básicos, foi um alento imediato. Fez o rosto de Jacqueline se iluminar. “Tem até creme para pele e cabelo”, disse.

Os kits mais recentes começaram a ser montados e distribuídos pelo UNFPA em parceria com a organização Visão Mundial em março de 2019, e foram financiados pelo Fundo Central de Resposta de Emergência das Nações Unidas (CERF).

Até agora, já foram distribuídas 729 unidades do kit. A ação é estratégica em saúde sexual e reprodutiva e na prevenção da violência baseada em gênero. Dentro da bolsa, é possível encontrar roupa íntima, chinelos, preservativos, creme dental e escova de dentes, entre outros itens.

O oficial de projetos e chefe do escritório do UNFPA em Roraima, Igo Martini, explicou que a definição do que seria fornecido nos kits foi feita com base em guias internacionais publicados pela organização.

Outros artigos presentes na bolsa foram incluídos após o recebimento de demandas dos próprios beneficiários e beneficiárias — como lanternas e apitos, usados pelos movimentos de mulheres no Brasil como itens de segurança e sobrevivência.

“(A escolha dos itens) foi resultado de relatos e demandas que escutamos. Observamos, por exemplo, que havia muitas mulheres em risco, durante a noite, por conta da escuridão. Daí a importância de ter uma lanterna. No mesmo contexto, o apito é voltado para que, em situação de violência, as mulheres possam pedir socorro”, disse Martini.

Pessoas em deslocamento, em contextos de emergência, são especialmente vulneráveis à violência sexual, a infecções sexualmente transmissíveis e, no caso das mulheres, gestações não desejadas. Na ausência de serviços adequados de obstetrícia, há um alto índice de mortes maternas e de outras complicações relacionadas ao parto.

Dados do último Relatório sobre a Situação da População Mundial, produzido pelo UNFPA, apontaram que, todos os dias, mais de 500 mulheres e meninas em países em situação de emergência morrem durante a gravidez e ao dar à luz, devido à ausência de atendentes e serviços obstétricos qualificados.

Por isso, o UNFPA trabalha ativamente nestes cenários, seja levando informações sobre saúde sexual e reprodutiva ou fornecendo os insumos necessários para que as pessoas possam seguir adiante. A agência também disponibiliza preservativos femininos e masculinos.

Em Roraima, os kits fazem a diferença na vida das pessoas que os recebem, principalmente aquelas em condições de maior vulnerabilidade e que perderam seus pertences na travessia para o Brasil.

No caso de Jacqueline Pereira, naquele dia, foi um sopro de esperança. Ao encontrar um pequeno caderno na sacola, ela vibrou. “Vou usá-lo para aprender português”, declarou.