Fundo da ONU capacita agricultoras brasileiras em monitoramento da produção

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) capacitou neste mês, em Recife (PE), cerca de 70 agriculturas brasileiras no uso de cadernetas agroecológicas. Com a formação, a agência da ONU quer impulsionar o monitoramento da produção feita por mulheres, lançando luz sobre as contribuições dessa parte da população para o setor agrícola.

Capacitação do FIDA abordou protagonismo das mulheres na produção agrícola. Foto: ASA/Emanuela Castro

Capacitação do FIDA abordou protagonismo das mulheres na produção agrícola. Foto: ASA/Emanuela Castro

O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) capacitou neste mês, em Recife (PE), cerca de 70 agriculturas brasileiras no uso de cadernetas agroecológicas. Com a formação, a agência da ONU quer impulsionar o monitoramento da produção feita por mulheres, lançando luz sobre as contribuições dessa parte da população para o setor agrícola.

O treinamento fez parte da programação do Seminário Semear Internacional-FIDA de Capacitação para uso das Cadernetas Agroecológicas, promovido pelo fundo das Nações Unidas em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA). Evento aconteceu do dia 3 a 5 de julho.

Durante a mesa de abertura do encontro, a reitora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Maria José de Sena, defendeu a inclusão e a participação das mulheres na agricultura. “Com elas, temos a certeza e a segurança de que o alimento que consumimos tem nutrientes e nos faz bem”, afirmou a dirigente da instituição de ensino e pesquisa.

Já a coordenadora do grupo de trabalho de mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), Elisabeth Cardoso, ressaltou a necessidade de empoderar as agricultoras. “Se costuma dizer que, sem feminismo, não há agroecologia, mas vou além. Sem feminismo, não há convivência com o Semiárido.”

Cadernetas dão visibilidade para o trabalho das mulheres

Também presente, a coordenadora-executiva da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), Graciete Santos, explicou que a caderneta agroecológica é uma ferramenta importante para dar visibilidade às atividades não monetárias — como o trabalho doméstico e o consumo da família — a que as mulheres se dedicam. Essas práticas não são reconhecidas como geradoras de renda, mas são fundamentais à vida.

Por meio da caderneta, as mulheres também podem contabilizar o quanto investem e o quanto lucram com a produção agrícola no roçado e em casa. O acompanhamento permitirá observar evoluções na renda das mulheres, a fim de promover a sua autonomia. A expectativa é de que o uso das cadernetas fortaleçam o respeito e a inclusão das produtoras rurais.

Ao longo dos três dias de evento, a capacitação em Recife contou com atividades práticas e orientações sobre como preencher a caderneta. No último dia, foi discutida a sistematização do fluxo de informações que os documentos vão gerar.

“Estamos juntas e juntos construindo caminhos e instrumentos que nos possibilitem visibilizar, conhecer e sistematizar a contribuição econômica, ecológica, social e cultural das mulheres rurais para a economia familiar, para a segurança e soberania alimentar, a agroecologia e para a vida”, completou a gerente de Gestão do Conhecimento do Semear Internacional, Aline Martins.

Durante o evento, foi lançada a cartilha Mulheres que florescem o semiárido nordestino, uma publicação do FIDA que apresenta a luta de mulheres para ter seus trabalhos reconhecidos e valorizados no semiárido. Acesse a cartilha clicando aqui.

Acesse também o Guia Metodológico de Uso da Caderneta Agroecológica clicando aqui.