Fukushima: Estabilidade da usina nuclear tem ‘desafios complexos’, diz ONU

Equipe também elogiou o Japão na preparação da desativação da usina, especialmente o programa de monitoramento para rastrear os níveis de radiação ao redor do local do acidente.

Superintendente de Fukushima, Ikuo Izawain, acompanha o diretor da AIEA, Juan Carlos Lentijo, em visita à usina. Foto: AIEA/Greg Web.

Superintendente de Fukushima, Ikuo Izawain, acompanha o diretor da AIEA, Juan Carlos Lentijo, em visita à usina. Foto: AIEA/Greg Web.

Uma equipe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encontra-se no Japão para vistoriar a usina nuclear de Fukushima, seriamente afetada pela tsunami que atingiu o país em março de 2011. Apesar de elogiar o Japão pelos esforços na desativação da usina danificada, a equipe declarou, nesta quarta-feira (4), que “desafios complexos” devem ser abordados para garantir a estabilidade da planta.

No relatório preliminar, entregue às autoridades japonesas, a equipe reconhece uma série de conquistas na preparação da desativação de Fukushima, como o conjunto de medidas sobre o gerenciamento da água contaminada e um programa de monitoramento para rastrear os níveis de radiação ao redor do local do acidente, incluindo o ambiente marinho.

“Devido à quantidade crescente de água contaminada no local, esforços deveriam ser feitos para intensificar o tratamento de água e examinar todas as opções para a sua posterior gestão”, disse o líder da equipe, Juan Carlos Lentijo, diretor de Divisão do Ciclo do Combustível e Tecnologia em Resíduos do Departamento de Energia Nuclear da AIEA. Mas, lembrou o especialista, “o Japão estabeleceu uma boa base para melhorar sua estratégia e alocar os recursos necessários para conduzir a desativação segura de Fukushima Daiichi”.

Em março de 2011, um terremoto de magnitude 9,0 provocou uma tsunami que, além de matar 20 mil pessoas, bateu com violência contra a estação de energia nuclear de Fukushima Daiichi, desativando os sistemas de resfriamento e levando à fusão de combustíveis em três das seis unidades. O incidente é considerado o pior acidente nuclear desde o desastre de Chernobyl, em 1986.