Fugindo da violência na RDC, milhares enfrentam jornada perigosa rumo a Uganda

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Mais de 22 mil refugiados congoleses atravessaram o Lago Alberto para Uganda na semana passada, sendo que quatro deles se afogaram na travessia, informou a ONU na terça-feira (13), alertando que mais vidas podem ser perdidas enquanto continuam os deslocamentos provocados pelo conflito na República Democrática do Congo (RDC).

Refugiados congoleses recém-chegados a centro de emergência do ACNUR em Sebagoro, Uganda. Foto: ACNUR/Michele Sibiloni

Refugiados congoleses recém-chegados a centro de emergência do ACNUR em Sebagoro, Uganda. Foto: ACNUR/Michele Sibiloni

Mais de 22 mil refugiados congoleses atravessaram o Lago Alberto para Uganda na semana passada, sendo que quatro deles se afogaram na travessia, informou a ONU na terça-feira (13), alertando que mais vidas podem ser perdidas enquanto continuam os deslocamentos provocados pelo conflito na República Democrática do Congo (RDC).

“Os refugiados utilizam pequenas canoas ou barcos de pesca lotados e frágeis, frequentemente carregando mais de 250 pessoas e levando até dez horas para atravessar”, disse Babar Baloch, porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a jornalistas em Genebra.

Desde o começo do ano, cerca de 34 mil congoleses chegaram a Uganda.

Os funcionários do ACNUR reportaram diversos outros incidentes com barcos que naufragaram devido a falhas no motor ou falta de combustível, levando a operações de resgate das autoridades de Uganda.

Em 7 de fevereiro, parceiros do ACNUR registraram mais duas mortes no Lago Alberto, que faz fronteira com Uganda, onde milhares de pessoas estão aguardando para atravessar.

Com a continuidade dos ataques contra vilarejos na província de Ituri, da RDC, o ACNUR pede mais acesso humanitário à região, para cobrir as enormes necessidades de proteção e assistência da população.

Os refugiados que atravessam a fronteira mencionam crescentes ataques contra populações civis na RDC, assim como assassinatos e destruição de propriedade privada. Os funcionários do ACNUR também receberam muitas informações de civis sendo mortos a flechadas.

O ACNUR trabalha com as autoridades de Uganda no registro e realocação dos recém-chegados para acampamentos no interior no país. No entanto, mais apoio é necessário para enfrentar a situação.

Entre as prioridades está a preparação de novas áreas de assentamento, junto com intervenções psicossociais para ajudar os refugiados a superar o trauma.

Paralelamente, as travessias por meio do Lago Tanganyka rumo a Burundi e Tanzânia caíram significativamente na semana passada, para cerca de 8 mil e 1,2 mil, respectivamente. Os avanços do exército contra grupos armados dentro da RDC, assim como uma queda na disponibilidade de barcos e canoas, podem ter contribuído para a baixa do número de recém-chegados.

No entanto, o ACNUR teme que os fluxos tenham novas altas, dada a natureza imprevisível e volátil do conflito.

No último ano, cerca de 120 mil congoleses fugiram para países vizinhos, se unindo aos 510 mil refugiados que já estavam no exílio.

Tendo em vista a expectativa de aumento desse fluxo em 2018, o ACNUR pede que os doadores ampliem seu apoio. Dos 368,7 milhões de dólares requeridos pela agência da ONU para enfrentar a situação no país, apenas 1% foi financiado até o momento.


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