Fórum sobre inclusão laboral de refugiados reúne empresários em MG

Empresários, poder público e organizações da sociedade civil se reuniram na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) na quarta-feira (11) para a 3ª edição do Fórum Empresarial de Empregabilidade e Empreendedorismo para Refugiados e Migrantes.

O encontro foi organizado por Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Rede Brasil do Pacto Global, em parceria com a FIEMG. Na ocasião, foi lançada a plataforma Empresas com Refugiados, cujo objetivo é auxiliar empresas no processo de contratação e ampliar inserção de refugiados no mercado de trabalho brasileiro.

Onze venezuelanos foram interiorizados para Montes Claros, no norte do estado de MG, inclusive o pequeno Dylan, de apenas 1 mês. Foto: Exército/Comunicação Social 12 de Guerra

Onze venezuelanos foram interiorizados para Montes Claros, no norte do estado de MG, inclusive o pequeno Dylan, de apenas 1 mês. Foto: Exército/Comunicação Social 12 de Guerra

Empresários, poder público e organizações da sociedade civil se reuniram na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) na quarta-feira (11) para a 3ª edição do Fórum Empresarial de Empregabilidade e Empreendedorismo para Refugiados e Migrantes.

O encontro foi organizado por Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Rede Brasil do Pacto Global, em parceria com a FIEMG. Na ocasião, foi lançada a plataforma Empresas com Refugiados, cujo objetivo é auxiliar empresas no processo de contratação e ampliar inserção de refugiados no mercado de trabalho brasileiro.

Um levantamento feito pelo ACNUR sobre o Perfil Socioeconômico dos Refugiados no Brasil aponta que 34,4% da população refugiada no Brasil tem pelo menos ensino superior (graduação, mestrado e doutorado), embora 68,2% não utilizem suas habilidades profissionais em seus trabalhos atuais, afetando seu acesso a renda no país.

O subaproveitamento de suas competências, somado à dificuldade de revalidar seus diplomas, atrapalham o processo de reintegração. Segundo Paulo Sérgio Almeida, oficial de Meios de Vida do ACNUR, “não há problemas legais ou riscos em contratar refugiados e solicitantes de refúgio”.

“É importante que as empresas considerem a contratação dessas pessoas por seu potencial e capacidade. A plataforma Empresas com Refugiados é um modelo para casos de sucesso onde houve ganhos recíprocos na contratação.”

No painel inicial, o superintendente do programa de estágios IEL-MG, Gustavo Macena, ressaltou que a diversidade de pessoas traz prosperidade. “Sou paulista de nascimento e mineiro de coração. Sou fruto de um local que prosperou e que foi edificado por imigrantes e refugiados. Tenho certeza que temos que ter sempre esse olhar.”

Já o subsecretário estadual de Trabalho e Emprego de Minas Gerais, Raphael Amaral Rodrigues, enfatizou a necessária atuação do poder público. “Não podemos fechar os olhos. São necessárias políticas públicas para a interiorização dos refugiados e precisamos oferecer oportunidades de trabalho que proporcionem qualidade de vida”, destacou.

A Rede Brasil do Pacto Global buscou na FIEMG a estrutura necessária para sensibilizar os empresários sobre a necessidade de dar visibilidade aos refugiados que buscam uma oportunidade de trabalho em Minas. “O Pacto Global é o braço da ONU para o setor empresarial e a FIEMG é um hub que ecoa essa importância para suas associadas”, disse o secretário-executivo da organização, Carlo Pereira.

Mobilidade global

De acordo com Paulo Sérgio Almeida, oficial de Meios de Vida do ACNUR, o Brasil não está imune ao aumento global da população refugiada. “São situações críticas que produzem deslocamentos forçados onde o refugiado busca proteção à sua vida. Dessa população refugiada, as crianças e adolescentes representam 50%. Mesmo assim, o Brasil tem um percentual de pouco mais de 1% de população refugiada, enquanto a média mundial gira em torno de 3%”, afirmou Almeida.

Guilherme Otero, coordenador de projetos da Organização Internacional para as Migrações (OIM), afirmou que o saldo migratório brasileiro é negativo, mas ainda assim o país é um destino muito procurado por aqueles que buscam uma nova vida.

“Em 2019, até agora, 5.452.573 pessoas migraram para o Brasil, enquanto 5.602.721 foram embora. Isso dá um balanço negativo de 150.148 no saldo migratório”, contextualizou Otero.

Para ele, o setor privado é um fundamental para integrar as pessoas que buscam uma oportunidade no Brasil. “As empresas são aliadas para ajudar a combater a exploração laboral, a promoção da diversidade, a inclusão e a coesão social”, destacou.

A gerente de Responsabilidade Social e Empresarial da FIEMG, Luciene Araújo, reforçou que a diversidade é essencial para a produtividade das indústrias. “O Sistema FIEMG é signatário do Pacto Global, que tem como um dos pilares os direitos humanos. Dentro desse espectro, fazemos a promoção da diversidade como forma de inovação e inclusão de refugiados e migrantes, renovando o ambiente organizacional.”

“Com isso, estamos promovendo a diversidade dentro das empresas. Dessa forma, cria-se um espaço para inovar e ampliar a competitividade dos negócios. O ambiente plural é muito mais produtivo e traz mais resultados”, explicou a gerente da FIEMG.

O Fórum Empresarial de Empregabilidade e Empreendedorismo para Refugiados e Migrantes trouxe ainda para o debate entidades de apoio como o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados, empresas que estimulam a contratação de migrantes, como a Accenture e a Emdoc, e o coronel Souza Holanda, chefe da célula de interiorização da Operação Acolhida, que atua no Norte do país recebendo os refugiados vindos da Venezuela.