Fórum da ONU discute papel do diálogo cultural no combate à violência extremista

Após uma série de ataques impulsionados pelo ódio em locais de adoração em todo o mundo, o representante da Aliança de Civilizações das Nações Unidas (UNAOC) afirmou no início de abril (2) que abriu “com coração pesado” o fórum anual da ONU em Baku, no Azerbaidjão, sobre o papel do diálogo cultural na construção de solidariedade humana e combate à violência.

Miguel Angel Moratinos afirmou que o tema do 5º Fórum Mundial para Diálogo Intercultural – Construção de Diálogos em ação contra a discriminação, a desigualdade e o extremismo violento – foi muito oportuno à medida que os presentes no fórum refletiram sobre os “horríveis ataques terroristas” que aconteceram ao longo dos últimos dias e meses.

Centro Heydar Aliyev, em Baku, no Azerbaidjão. O local foi projetado pela arquiteta iraquiana-britânica Zaha Hadid. Foto: ONU News/Elizabeth Scaffidi

Centro Heydar Aliyev, em Baku, no Azerbaidjão. O local foi projetado pela arquiteta iraquiana-britânica Zaha Hadid. Foto: ONU News/Elizabeth Scaffidi

Após uma série de ataques impulsionados pelo ódio em locais de adoração em todo o mundo, o representante da Aliança de Civilizações das Nações Unidas (UNAOC) afirmou no início de abril (2) que abriu “com coração pesado” o fórum anual da ONU em Baku, no Azerbaidjão, sobre o papel do diálogo cultural na construção de solidariedade humana e combate à violência.

Miguel Angel Moratinos afirmou que o tema do 5º Fórum Mundial para Diálogo Intercultural – Construção de Diálogos em ação contra a discriminação, a desigualdade e o extremismo violento – foi muito oportuno à medida que os presentes no fórum refletiram sobre os “horríveis ataques terroristas” que aconteceram ao longo dos últimos dias e meses.

“Fico perante vocês hoje com um coração pesado”, lamentou, explicando que no dia anterior havia visitado Colombo, no Sri Lanka, onde prestou homenagem às vítimas dos ataques terroristas contra igrejas católicas e hotéis. Os ataques deixaram mais de 250 mortos no domingo de Páscoa.

Citando um “surto de crimes de ódio e ataques terroristas” mirando locais de adoração, Moratinos disse que isto é um lembrete de que “nenhum país, religião ou etnia é poupado” de tal violência.

Ele também relembrou um ataque recente contra judeus em uma sinagoga na Califórnia e um ataque mortal a tiros em uma sinagoga no ano passado, em Pittsburgh, ambos nos EUA.

Estes incidentes aconteceram em meio a violências similares, incluindo um ataque contra uma catedral nas Filipinas, assim como o massacre no mês passado contra muçulmanos que estavam dentro de mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia.

“Em todos estes ataques hediondos e covardes (…) vemos um padrão comum: ódio contra o ‘outro’”, disse. “Estes criminosos estão sequestrando comunidades fiéis inteiras, colocando religiões umas contra as outras.”

Ainda que o problema nunca seja a fé, afirmou Moratinos, existem “aqueles que manipulam os fiéis e os colocam uns contra os outros através de suas interpretações pervertidas de textos sagrados”.

Redes sociais são ‘combustível para furioso incêndio’

“O nexo entre conflitos prolongados, terrorismo e extremismo violento permanece um desfio em andamento para a comunidade internacional”, afirmou, dizendo que extremistas violentos buscam “dividir e semear instabilidade em nossas sociedades”.

De acordo com Moratinos, as redes sociais só acrescentam “combustível para o furioso incêndio”, junto à chamada ‘dark web’ – servidores de rede inalcançáveis na Internet, por requererem softwares, configurações ou autorizações específicas para o acesso –, que fornece um espaço para radicais, supremacistas brancos e ativistas da extrema-direita “vomitarem suas ideologias distorcidas”.

Ele também afirmou que prevenir o extremismo violento e garantir a paz sustentável são atos complementares e objetivos que se reforçam mutuamente.

Sem lugar para exclusão

Em seu discurso de abertura do encontro, Nada Al-Nashif, diretora-geral assistente para ciências sociais e humanas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), destacou a importância de promover diálogos interculturais.

Destacando que o Processo de Baku foi lançado pelo Azerbaidjão há mais de 10 anos para criar um diálogo eficaz e eficiente entre culturas e civilizações, ela disse que ainda há necessidade de focar e acompanhar ações concretas para criar continuidade e impactos.

Em um momento em que diversidade cultural está sob ameaça de pressões do populismo excludente, ela destacou que “o mundo está enfrentando a maior crise de refugiados e deslocados da história recente”.

“Novas tecnologias com potencial para conectar indivíduos e comunidades estão sendo mal utilizadas para semear divisões e desentendimentos”, afirmou.

Al-Nashif destacou a necessidade urgente de aumentar inclusão de coesão em sociedades que passam por “profundas, e às vezes imprevisíveis, transformações”.

“Desafios hoje são complexos e não respeitam fronteiras”, afirmou. “Não há espaço para unilateralismo ou exclusão.”

O objetivo deve ser “abraçar mudança com base nos direitos humanos e respeito mútulo, moldá-la em direções positivas para criar um futuro que seja mais justo, inclusivo e sustentável para todos os homens e mulheres”, disse.

Processo de ‘plataforma positiva’ de Baku

O presidente do Azerbaidjão, Ilham Aliyev, falou sobre o Processo de Baku, que foca no diálogo intercultural, definindo o processo como uma “plataforma boa e positiva para tomar a decisão certa”.

Dizendo que o processo de Baku é “um dos mais importantes” entre a Europa e o resto do mundo, ele destacou: “Precisamos de diálogo sobre questões culturais, inter-religiosas, políticas, econômicas e de segurança”.

O secretário-geral da Organização de Cooperação Islâmica, Yousef bin Ahmad al-Othaimeen, lamentou que o mundo de hoje está testemunhando todos os tipos de discriminação.

“Terrorismo não tem religião, raça ou nacionalidade”, afirmou, chamando diálogos entre culturas de “uma necessidade absoluta”.

Em nome do Conselho da Europa, a vice-secretária-geral do organismo, Gabriella Battaini-Dragoni, afirmou que sociedades inclusivas, com direitos iguais e dignidades para todos, exigem entendimento.

“A promoção do diálogo intercultural não é um evento, é um desafio sem fim” que exige educação para afastar a ignorância, disse.


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