Forças Armadas comemoram prêmio da ONU sobre igualdade de gênero para militar brasileira

Em torno de 40 representantes das Forças Armadas, academia, sociedade civil e missões diplomáticas celebraram nesta sexta-feira (29), no Rio de Janeiro (RJ), a premiação da militar brasileira Marcia Andrade Braga, que recebeu em Nova Iorque uma condecoração da ONU por promover a igualdade de gênero em missões de paz. A capitão de corveta da Marinha trabalha desde abril de 2018 na operação das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA).

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Em torno de 40 representantes das Forças Armadas, academia, sociedade civil e missões diplomáticas celebraram nesta sexta-feira (29), no Rio de Janeiro (RJ), a premiação da militar brasileira Marcia Andrade Braga, que recebeu em Nova Iorque uma condecoração da ONU por promover a igualdade de gênero em missões de paz. A capitão de corveta da Marinha trabalha desde abril de 2018 na operação das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA).

“Na República Centro-Africana, em média, temos por mês mais de mil incidentes de proteção (de civis) registrados, principalmente contra mulheres e crianças. E a população continua sofrendo as consequências do conflito, particularmente o número enorme de crimes de violência sexual”, afirmou Marcia na plenária da Assembleia Geral da ONU após receber das mãos do secretário-geral, António Guterres, o prêmio de Defensora Militar da Igualdade de Gênero da ONU.

Marcia foi reconhecida por seu trabalho como assessora de gênero, função na qual implementou estratégias para identificar e prevenir riscos de violência contra as mulheres. A oficial é uma defensora apaixonada da presença feminina no terreno, por acreditar que as mulheres conseguem se comunicar com as populações locais de forma mais humanizada e menos agressiva — o que facilita o mapeamento das necessidades dos civis. A entrega da premiação marcou a abertura da Reunião Ministerial sobre Manutenção da Paz.

No Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), na capital fluminense, convidados assistiram à premiação por transmissão ao vivo na internet. Os militares e civis também conversaram com a capitão de corveta, que realizou uma videoconferência depois da cerimônia em Nova Iorque.

“Foi a melhor experiência da minha vida. Foi o ano em que eu mais trabalhei e o ano em que eu mais fui feliz. Sejam voluntárias e venham com vontade de fazer a diferença. Quando as pessoas no terreno veem a bandeira do Brasil, as pessoas sorriem e eu nunca senti tanto orgulho de ser brasileira”, afirmou a capitão de corveta para os colegas no Rio.

“Nós nos sentimos muito honradas, por (ela) ser brasileira, mas especialmente por ser mulher. (Isso) Nos motiva a prosseguir e nos empenhar mais e mais”, afirmou a auxiliar fuzileiro naval, Gizelle Rebouças, que sonha em participar de uma missão da ONU.

A militar brasileira Marcia Andrade Braga alertou para a baixa participação de mulheres na missão da ONU na República Centro-Africana. Foto: ONU/Cia Pak

A militar brasileira Marcia Andrade Braga alertou para a baixa participação de mulheres na missão da ONU na República Centro-Africana. Foto: ONU/Cia Pak

Também presente na comemoração, a major Christiane Lima, que serviu na operação da ONU no Haiti, a antiga MINUSTAH, enfatizou a necessidade de conscientizar as oficias sobre o que é a perspectiva de gênero. Na visão da oficial, estereótipos culturais acabam afastando as mulheres do serviço em missões de paz.

“É difícil entender que temos poder para assumir certos papéis. Vivemos numa sociedade em que nem sempre a gente tem espaço para ser ouvida”, ressaltou a militar. “Perspectiva de gênero é igualdade, participação, contribuição, tando da mulher quanto do homem.”

O diretor do UNIC Rio, Maurizio Giuliano, lembrou que as Nações Unidas estipularam a meta de alcançar os 15% de participação feminina nos contingentes militares enviados para operações de paz. “O objetivo final seria um mundo 50-50, para que as mulheres estejam representadas igualmente”, disse o dirigente.

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