Fome no Iêmen: PMA considera suspensão de ajuda após novas interferências de líderes houthis

A agência das Nações Unidas de ajuda alimentar de emergência afirmou que, sem acesso pleno e “liberdade para decidir”, pode ser forçada a implementar uma “suspensão em fases” para pessoas que recebem ajuda vital em áreas controladas por rebeldes houthis no Iêmen.

Em comunicado, o porta-voz sênior do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Hervé Verhoosel, afirmou que, após mais de quatro anos de conflito brutal entre houthis e uma coalizão do governo por controle do país, “nosso maior desafio não vem das armas”, mas “do papel obstrutivo e não cooperativo de alguns líderes houthis em áreas sob o controle deles”.

Sacos de cereais do Programa Mundial de Alimentos (PMA) na província de Taiz, no Iêmen. Foto: OCHA/Giles Clarke

Sacos de cereais do Programa Mundial de Alimentos (PMA) na província de Taiz, no Iêmen. Foto: OCHA/Giles Clarke

A agência das Nações Unidas de ajuda alimentar de emergência afirmou na segunda-feira (20) que, sem acesso pleno e “liberdade para decidir”, pode ser forçada a implementar uma “suspensão em fases” para pessoas que recebem ajuda vital em áreas controladas por rebeldes houthis no Iêmen.

Em comunicado, o porta-voz sênior do Programa Mundial de Alimentos (PMA), Hervé Verhoosel, afirmou que, após mais de quatro anos de conflito brutal entre houthis e uma coalizão do governo por controle do país, “nosso maior desafio não vem das armas”, mas “do papel obstrutivo e não cooperativo de alguns líderes houthis em áreas sob o controle deles”.

Ele afirmou que agentes humanitários que trabalham no Iêmen não estão conseguindo acesso às pessoas em situação de fome. Além disso, comboios de ajuda estão sendo bloqueados e autoridades locais interferem na decisão de quem recebe comida.

“Isto precisa acabar”

Segundo o porta-voz, progressos com violadores precisam ser feitos, após repetidos avisos para acabar com desvio de alimentos.

“Esta suspensão faseada de operações do PMA será adotada como último recurso e faremos tudo dentro de nossos poderes para garantir que os mais frágeis e mais vulneráveis – especialmente crianças – não sofram.”

Ele acrescentou que esforços de ajuda que “miram diretamente crianças malnutridas e mulheres irão continuar”, como estratégia para “mitigar qualquer impacto lamentável que uma suspensão parcial possa ter sobre a saúde e bem-estar. Nós devemos isto ao povo do Iêmen e aos nossos doadores internacionais que apoiam nossa operação”.

O porta-voz sênior destacou que alguns dos líderes houthis fizeram “comprometimentos positivos” e estão trabalhando de perto com o PMA para permitir que “um processo humanitário totalmente independente de selecionar os mais necessitados” se torne realidade. Mas outros “infelizmente quebraram promessas que nos fizeram”.

Ele afirmou que um impasse anterior com a coalizão liderada pela Arábia Saudita em 2017 havia sido resolvido com sucesso. O impasse envolvia o bloqueio da entrada de novos contêineres e envios vitais de ajuda no porto crucial de Hodeida. “Os líderes da coalizão ouviram e, a tempo, os contêineres foram entregues, e o porto foi reaberto para ajuda.”

“O PMA ainda acredita que bom senso irá prevalecer e uma suspensão não irá acontecer”, disse Verhoosel. “A responsabilidade final pelo bem-estar de seu povo cabe à liderança iemenita. Se o PMA receber permissão de realizar uma operação que cumpra padrões mínimos internacionais, estaremos prontos para desempenhar nosso papel e garantir um futuro melhor para milhões de iemenitas que lutam para alimentar suas famílias.”

Segundo o coordenador humanitário da ONU, Mark Lowcock, “o espectro da fome ainda paira” sobre o Iêmen. Em torno de 360 mil crianças no Iêmen sofrem de má nutrição aguda severa. Além disso, o retorno do cólera afetou 300 mil iemenitas apenas neste ano.


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