Fome mata mais do que conflitos e terrorismo, afirma diretor-geral da FAO

Durante uma reunião especial da Comissão da ONU da Construção da Paz, José Graziano da Silva lembrou que a história da humanidade foi marcada por círculos de violência e fome e destacou que a segurança alimentar pode ser usada como instrumento para a prevenção de conflitos.

Mulheres disputam para conseguir cupons de comida em um campo de refugiados no Quênia. Foto: Flickr/Zoriah (Creative Commons)

Mulheres disputam para conseguir cupons de comida em um campo de refugiados no Quênia. Foto: Flickr/Zoriah (Creative Commons)

A agricultura e a segurança alimentar devem ser tratadas como componentes essenciais da construção da paz e resolução de conflitos, afirmou o chefe da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), durante uma reunião especial da Comissão da ONU da Construção da Paz, realizada nesta segunda-feira (26), na sede da ONU em Nova York.

O diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, lembrou que a história da humanidade foi marcada por círculos viciosos de violência e fome e que estes conflitos não são restritos às fronteiras nacionais. Para evitar a repetição desse padrão, a segurança alimentar pode ser usada como prevenção e instrumento de mitigação para os avanços da paz e segurança.

Para ilustrar a dimensão dos efeitos da fome, Graziano da Silva comparou números de mortes por conflitos e terrorismo e cifras relacionadas ao falecimento por fome. Entre 2004 e 2009, estima-se que 55 mil pessoas perderam a vida como resultado direto de conflitos e atos terroristas, enquanto apenas na Somália, entre 2010 e 2012, mais de 250 mil pessoas morreram de fome causada por uma grave seca.

“Não podemos esperar uma emergência para reagir. Para alcançar a segurança alimentar, precisamos agir antes da crise. Não podemos prevenir a seca de acontecer, mas podemos prevenir que ela se transforme em fome”, adicionou.

Lembrando que o impacto dos conflitos nas áreas rurais duram muito mais doque a própria violência, o chefe da FAO observou que o investimento na agricultura, principal meio de vida da maioria dos países em situação de pós-conflito, representa uma maneira crucial de aliviar a pobreza e garantir o desenvolvimento.