FMI prevê crescimento de 2,3% para economia brasileira em 2018

A economia brasileira deve crescer 2,3% este ano e 2,5% em 2019, segundo projeções divulgadas na terça-feira (17) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O avanço do país ficará pouco acima da média regional latino-americana e caribenha, cuja alta prevista para 2018 é de 2%. No ano que vem, os países da região devem crescer em média 2,8%, de acordo com relatório do organismo internacional.

Enquanto a economia mundial continua a mostrar recuperação, o documento alertou para a possibilidade de turbulências adiante, causadas pelo aumento do protecionismo ou por guerras comerciais.

O FMI prevê crescimento de 2,3% para a economia brasileira este ano. Foto: EBC

O FMI prevê crescimento de 2,3% para a economia brasileira este ano. Foto: EBC

A economia brasileira deve crescer 2,3% este ano e 2,5% em 2019, segundo projeções divulgadas na terça-feira (17) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O avanço do país ficará pouco acima da média regional latino-americana e caribenha, cuja alta prevista para 2018 é de 2%. No ano que vem, os países da região devem crescer em média 2,8%, de acordo com relatório do organismo internacional.

Um crescimento gradual deve continuar na América Latina e no Caribe, uma região severamente afetada pelo declínio dos preços das matérias-primas de 2014 a 2016, lembrou o FMI. “Após uma profunda recessão em 2015 e 2016, a economia brasileira retornou ao crescimento em 2017 (1%) e deve crescer 2,3% em 2018 e 2,5% em 2019, impulsionada por um consumo e investimento privado mais fortes”, disse o documento.

Enquanto a economia mundial continua a mostrar recuperação, o documento alertou para a possibilidade de turbulências adiante, causadas pelo aumento do protecionismo ou por guerras comerciais.

“O crescimento global deve desacelerar nos próximos dois anos”, disse o relatório, explicando que “quando as lacunas de produção se fecharem, a maioria das economias avançadas estará pronta para retornar a taxas de crescimento potencial bem abaixo das médias pré-crise — detidas pelo envelhecimento populacional e por uma fraca produtividade”.

Olhando para as maiores economias, o World Economic Outlook, relatório semestral do FMI sobre a saúde da economia global, mostrou projeções de crescimento de 2,4% para a zona do euro, 1,2% para o Japão, 6,6% para a China e 2,9% para os Estados Unidos.

“Apesar das boas notícias de curto prazo, as perspectivas de longo prazo são mais preocupantes”, disse Maurice Obstfeld, conselheiro econômico e diretor de pesquisa do FMI, agência especializada das Nações Unidas que trabalha para garantir a estabilidade do sistema financeiro global.

“As economias avançadas — que enfrentam o envelhecimento populacional, a queda das taxas de participação na força de trabalho e o baixo crescimento da produtividade — provavelmente não recuperarão as taxas de crescimento per capita que desfrutaram antes da crise financeira global”, declarou.

Obstfeld pintou um quadro diferente para as economias emergentes e em desenvolvimento, dizendo que, entre os não exportadores de commodities, alguns países podem esperar taxas de crescimento de longo prazo nos níveis pré-crise.

No entanto, apesar de algumas melhorias nas perspectivas para os preços das commodities, ele indicou que alguns exportadores de matérias-primas precisarão diversificar suas economias para impulsionar o crescimento futuro e a resiliência.

Tensões comerciais

Enquanto alguns governos estão buscando reformas econômicas substanciais, as disputas comerciais arriscam desviar outros países de passos construtivos que precisam tomar para melhorar e assegurar as perspectivas de crescimento, alertou Obstfeld.

Apesar do crescimento econômico generalizado, o otimismo público vem se deteriorando ao longo do tempo pelas tendências de polarização de empregos e salários, aumentando a ameaça de desdobramentos políticos que poderiam desestabilizar várias políticas econômicas, para além das comerciais.

“Os governos precisam enfrentar os desafios de fortalecer o crescimento, distribuindo seus benefícios de forma mais ampla, ampliando as oportunidades econômicas por meio de investimentos em pessoas […] que poderiam transformar radicalmente a natureza do trabalho”, ressaltou Obstfeld. “Os conflitos comerciais desviam essa agenda vital”, declarou.

As tensões comerciais começaram no início de março, quando os EUA anunciaram que cobrariam tarifas maiores sobre as importações de aço e alumínio por razões de segurança nacional, provocando retaliações da China sobre as importações norte-americanas.

No ambiente atual, desequilíbrios globais excessivos precisam ser reduzidos de forma multilateral, de acordo com o FMI. “Os acordos multilaterais, se consistentes com as regras multilaterais, também podem fornecer um impulso útil para um comércio mais aberto”, declarou.

Enquanto cada governo pode fazer muito para promover um crescimento mais forte, resiliente e inclusivo, a cooperação multilateral permanece essencial para enfrentar uma série de desafios — incluindo a mudança climática, as doenças infecciosas, a segurança cibernética, a taxação de empresas e a corrupção.

“A interdependência global só continuará crescendo e, a menos que os países enfrentem (esse cenário) em um espírito de colaboração, não de conflito, a economia mundial não poderá prosperar”, disse Obstfeld.