FMI melhora previsão para economia brasileira, mas cita incertezas políticas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a projeção de crescimento da economia brasileira para 2016 e 2017 em relação às previsões feitas em abril, mas afirmou em relatório publicado nesta terça-feira (19) que as incertezas políticas permanecem no país.

FMI eleva projeção para economia brasileira em 2016 e 2017, mas cita incertezas políticas que deixam o cenário nebuloso. Foto: EBC

FMI eleva projeção para economia brasileira em 2016 e 2017, mas cita incertezas políticas que deixam o cenário nebuloso. Foto: EBC

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a projeção de crescimento da economia brasileira para 2016 e 2017 em relação às previsões feitas em abril, mas afirmou em relatório publicado nesta terça-feira (19) que as incertezas políticas permanecem no país.

Para este ano, a nova previsão é de queda de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB), frente a uma projeção anterior de baixa de 3,8%. Para 2017, a projeção é de avanço de 0,5%, diante de uma previsão anterior de estagnação.

“A confiança do consumidor e das empresas parece ter saído do piso no Brasil, e a contração do PIB no primeiro trimestre foi mais leve que o antecipado”, disse o órgão em seu relatório “Perspectiva Econômica Global”.

“Consequentemente, a recessão de 2016 está agora projetada para ser um pouco menos severa, com um retorno ao crescimento positivo em 2017”, disse o FMI, completando que as “incertezas políticas” permanecem no país, deixando o cenário nebuloso.

Brexit prejudica projeção de crescimento global

O FMI reduziu sua projeção de crescimento econômico global para este ano e o próximo, uma vez que o voto no Reino Unido para uma saída da União Europeia cria uma onda de incerteza em meio à já frágil confiança do consumidor e das empresas.

“O voto a favor do Brexit implica um substancial aumento das incertezas econômicas, políticas e institucionais, o que deve ter consequências macroeconômicas negativas, especialmente nas economias europeias avançadas”, disse o FMI no relatório.

As economias do Reino Unido e da Europa serão as mais atingidas pelo resultado do referendo do dia 23 de junho, que levou a uma mudança no governo britânico. O crescimento global, já fraco, também será afetado, o que pressionará autoridades a fortalecer seus sistemas bancários e estabelecer planos para reformas estruturais, disse o FMI.

Particularmente, autoridades britânicas e na União Europeia terão papel chave para reduzir as incertezas que podem afetar ainda mais o crescimento da Europa e de outras regiões, afirmou o FMI. O órgão pediu que as autoridades estabeleçam uma “transição suave e previsível para um comércio e transações financeiras pós-Brexit que preserve o máximo possível os ganhos entre Reino Unido e UE”.

A economia global deve crescer 3,1% este ano e 3,4% em 2017, de acordo com o FMI. A previsão representa uma redução de 0,1 ponto percentual para os dois anos na comparação com a previsão feita em abril.

A economia britânica deve crescer 1,7% este ano, disse o FMI, uma redução de 0,2 ponto na comparação com a projeção de abril. No ano que vem, a economia britânica deve desacelerar para 1,3%, queda de 0,9 ponto na comparação com a estimativa de abril e a maior redução entre as economias avançadas.

Para a zona do euro, o fundo elevou sua projeção em 0,1 ponto para este ano, a um crescimento de 1,6%, e reduziu em 0,2 ponto a previsão para 2017, a 1,4%.

“Os efeitos reais do Brexit virão gradualmente com o tempo, adicionando elementos de incerteza econômica e política”, disse Maurice Obstfeld, economista-chefe do FMI.

Para a China, a previsão de crescimento em 2016 subiu 0,1 ponto percentual, para 6,6%, com a projeção de 2017 mantendo-se inalterada em 6,2%. O efeito do voto a favor do Brexit deve ser nulo para o país, segunda maior economia mundial que tem limitado comércio e transações financeiras com o Reino Unido.

“No entanto, se o crescimento da União Europeia for afetado significativamente, os efeitos adversos na China podem se materializar”, disse o FMI.

Leia aqui o relatório completo (em inglês).