FMI: 10% da mão de obra do Brasil trocou agricultura pelo setor de serviços nas últimas 2 décadas

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Papel da agricultura, setor de serviços e indústria na geração de empregos é tema de novo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI). Apesar do peso da agropecuária, a distribuição de postos de trabalho no Brasil por segmento está mais próxima das tendências de países ricos. Atividade industrial manteve participação estável na composição da mão de obra brasileira.

Comércio de rua. Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa

Comércio de rua. Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa

O setor de serviços é o maior empregador da economia brasileira e, nas últimas duas décadas, viu sua participação na composição da mão de obra do país aumentar 10%. O crescimento é tema de relatório divulgado nesta semana (9) pelo Fundo Monetário Internacional. Organismo financeiro também analisa papel da indústria e da agricultura na geração de emprego no Brasil e no mundo.

Entre as economias emergentes, o Brasil é ponto fora da curva. Para o período 2000-2015, o FMI calculou que o setor de serviços empregava de 30 a 40% dos trabalhadores de países em desenvolvimento. No país sul-americano, a taxa chegava a mais de 70% em 2013, segundo a instituição internacional. Já a agricultura respondia por mais de 40% dos postos de trabalho nas nações emergentes, ao passo que, no Brasil, também em 2013, o índice foi calculado em 15%.

O peso do setor agrícola na economia brasileira e na geração de emprego é bem mais alto do que nos países ricos, onde a agropecuária ocupa, em média, menos de 5% dos trabalhadores. Quando avaliados os outros segmentos, porém, a distribuição de postos no Brasil se aproxima do observado nas chamadas economias avançadas. Em 2015, 75% dos empregados nas nações desenvolvidas trabalhavam com serviços e 15%, na indústria.

Da agricultura para os serviços

Em análise das transformações específicas do trabalho no Brasil, o FMI aponta que, em 1996, os serviços empregavam pouco mais de 60% dos brasileiros, proporção que cresceu 10% de lá para 2013. A expansão foi atribuída pelo organismo internacional a um deslocamento da mão de obra, que deixou a agricultura para trabalhar no novo setor. Em 1996, a produção agropecuária ocupava um quarto dos trabalhadores do país.

A participação da indústria se manteve estável durante esses quase 20 anos, com leves oscilações em torno dos 15%. De acordo com o FMI, diferenças salariais entre o setor e o segmento de serviços eram de 6% no início do período avaliado (1996-2013), com rendimentos mais altos encontrados na produção industrial. Ao final das duas décadas analisadas, as disparidades chegaram a quase zero.

Ganhos imediatos de renda entre profissionais que migraram dos serviços ou da agricultura para a indústria não foram considerados significativos. O fundo financeiro também não identificou variações consideráveis no aumento salarial a longo prazo para trabalhadores dos setores industrial e de serviços.

De acordo com o FMI, a diferença no crescimento da produtividade na indústria e nos serviços caiu pela metade desde o início dos anos 2000. No Brasil, a disparidade média entre os setores era de 2% no período 1965-1999. Nos 15 anos seguintes, a variação caiu para 1%, acompanhando uma tendência global de redução.

Acesse a análise do FMI clicando aqui.

Eleições de 2018 trazem tensões para economia

O relatório do FMI é um dos capítulos temáticos do seu levantamento “Perspectiva Econômica Global 2018”. As projeções do documento foram divulgadas anteriormente em janeiro (22), quando o organismo internacional anunciou uma previsão de crescimento de 1,9% para a economia brasileira neste ano.

Na mesma publicação, o FMI alertava para os riscos da incerteza política no Brasil e em outros países, associados à realização de eleições. Segundo o fundo, o atual cenário de indefinição ameaça a implementação de reformas e pode provocar mudanças nas agendas políticas.

Apesar das dúvidas quanto ao futuro, a instituição considerava que a recuperação da economia brasileira estava mais firme, sendo inclusive uma das causas por trás de previsões de crescimento mais sólidas na América Latina. A região deverá crescer 1,9% em 2018. Em 2019, o índice deve chegar a 2,6%, valor que representa um aumento de 0,2% na comparação com projeções anteriores do FMI.

Acesse os capítulos temáticos da “Perspectiva Econômica Global 2018” clicando aqui.


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