Fluxo global de investimento estrangeiro direto cai ao nível mais baixo em uma década

O investimento estrangeiro direto (IED) global caiu quase um quinto em 2018, de 1,47 trilhão de dólares em 2017 para 1,2 trilhão de dólares no ano passado, de acordo com dados mais recentes do Monitor de Tendências de Investimentos Globais da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), divulgados nesta segunda-feira (21).

A queda deriva da reforma fiscal corporativa nos Estados Unidos. A partir de 2017, empresas multinacionais norte-americanas embarcaram em uma grande repatriação de ganhos estrangeiros acumulados, uma ação que afetou fortemente a Europa.

O Brasil teve queda de 12% no fluxo de investimento estrangeiro direto ao país no ano passado, para 59 bilhões de dólares.

O investimento estrangeiro direto (IED) global caiu quase um quinto em 2018, segundo a UNCTAD. Foto: EBC

O investimento estrangeiro direto (IED) global caiu quase um quinto em 2018, segundo a UNCTAD. Foto: EBC

O investimento estrangeiro direto (IED) global caiu quase um quinto em 2018, indo de uma estimativa de 1,47 trilhão de dólares em 2017 para 1,2 trilhão de dólares no ano passado, de acordo com dados mais recentes do Monitor de Tendências de Investimentos Globais da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), divulgados nesta segunda-feira (21).

A queda levou os fluxos de IED de volta ao ponto mais baixo alcançado após a crise financeira global, com declínio concentrado em países desenvolvidos, onde fluxos caíram até 40%, para uma estimativa de 451 bilhões de dólares.

“A tendência subjacente em IED mostrou crescimento anêmico desde a crise financeira global e está em trajetória de queda desde 2013”, disse James Zhan, diretor da Divisão de Investimentos da UNCTAD.

“Os fatores por trás desta tendência negativa, como menor rentabilidade do investimento estrangeiro e mudanças em cadeias globais de valor, não estão mudando no futuro próximo. O cenário macroeconômico também está deteriorando”, disse.

De acordo com a UNCTAD, a queda de 2018 deriva da reforma fiscal corporativa nos Estados Unidos. A partir de 2017, empresas multinacionais norte-americanas embarcaram em uma grande repatriação de ganhos estrangeiros acumulados, uma ação que afetou fortemente a Europa.

Em 2018, fluxos de investimentos estrangeiros na Europa somaram 100 bilhões de dólares – uma queda sem precedentes de 73% – e um valor visto pela última vez na década de 1990. Os Estados Unidos também viram seus fluxos caírem para 226 bilhões de dólares, uma queda de 18%.

Em contraste, fusões globais transfronteiriças e aquisições subiram 19% e investimentos greenfield (em empresas em estágio inicial) anunciados foram positivos, com alta de até 29%, indicando que IED podem melhorar em 2019.

Enquanto isso, os fluxos de IED em economias em desenvolvimento foram mais resilientes. A UNCTAD mostra que o IED em economias em desenvolvimento aumentou 3%, indo para 694 bilhões de dólares em 2018. Nações em desenvolvimento representaram metade das dez maiores economias anfitriãs para fluxos de IED.

Das economias em desenvolvimento, a Ásia e a África foram as regiões que mais se beneficiaram, com fluxos aumentando para países em desenvolvimento da Ásia em 5%.

O leste e o sudeste da Ásia, para onde os fluxos cresceram 2% e 11%, respectivamente, representam um terço do IED global em 2018, e quase todo o crescimento do IED para economias desenvolvidas.

“O sudeste da Ásia é o principal motor de crescimento de IED”, disse Zhan, com a região se recuperando de uma queda em 2017, impulsionada pelo crescimento na Indonésia e na Tailândia.

Anúncios de investimentos greenfield em economias em desenvolvimento cresceram 47%, alcançando uma estimativa de 539 bilhões de dólares.

A entrada de investimento estrangeiro direto na África cresceu 6%, embora esse aumento tenha se concentrado em apenas alguns países, como Egito e África do Sul.

“A recuperação econômica lenta na América Latina e no Caribe geraram queda de fluxo de 4%”, acrescentou Zhan.

O Brasil teve queda de 12% no fluxo de investimento estrangeiro direto ao país no ano passado, para 59 bilhões de dólares.

Cenário mundial desafiador

Embora o panorama seja mais positivo para 2019, com a expectativa de recuperação, Zhan afirmou que ainda há muitas incertezas na economia global.

“Além do impacto imediato de ventos econômicos contrários, as tendências subjacentes para o IED global permanecem fracas, conduzidas por fatores como reformas fiscais, mega-acordos e fluxos financeiros voláteis”, disse Zhan.

“À medida que a inundação inicial de repatriações de lucros nos Estados Unidos diminui, as coisas irão se normalizar, se recuperando a níveis ‘médios’ de fluxos. Mas o cenário para a economia global é sombrio, sustentado por fatores estruturais na economia”.

Entre estes fatores estão questões políticas, tensões comerciais e um retorno às tendências protecionistas. Além disso, o fortalecimento da economia digital e uma mudança em direção a intangíveis na produção internacional irão desempenhar um papel, junto às quedas significativas em retornos de IED, já evidentes nos últimos cinco anos.