Fluxo de fuga da população síria é semelhante ao do genocídio de Ruanda, alerta Agência da ONU

Chefes de agências humanitárias pedem a Conselho de Segurança que ponha fim ao conflito que já 100 mil pessoas desde março de 2011. Destruição de patrimônio histórico também preocupa.

Refugiadas sírias cruzando a fronteira com a Jordânia. Foto: ACNUR/N. Daoud

Chefes de agências humanitárias da ONU pediram nesta terça-feira (16) que o Conselho de Segurança e a comunidade internacional se reúnam para pôr fim ao derramamento de sangue na Síria.

Cerca de 5 mil pessoas são mortas por mês e o número de vidas ceifadas já chega a 100 mil. Os confrontos começaram em março de 2011 com um levante contra o presidente Bashar al-Assad e também provocaram o refúgio de quase 2 milhões de pessoas, além do deslocamento interno de mais de 4 milhões.

O alto comissário da ONU para refugiados, António Guterres, afirmou ao Conselho que o fluxo de fuga da população síria é semelhante ao registrado no genocídio de Ruanda 20 anos atrás. Em 2013, uma média de 6 mil pessoas têm deixado o país por dia.

“Estamos não só assistindo a destruição de um país, mas também de seu povo”, disse a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Valerie Amos.

Amos afirmou que, embora as agências da ONU continuem prestando assistência, as lacunas na resposta humanitária permanecem na medida em que o acesso a muitas áreas afetadas, como Homs e Aleppo, é dificultado pelas preocupações de segurança ou restrições do Governo.

Destruição de patrimônio mundial preocupa UNESCO

Crac des Chevaliers e Qal’at El-Din. Foto: UNESCO/Jean-Pierre Heim

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, reiterou nesta terça-feira (16) o apelo para que locais considerados Patrimônio Mundial da Humanidade sejam preservados.

Bokova expressou “profundo choque” depois de ver os danos a dois castelos construídos durante as Cruzadas entre os séculos 11 e 13.

“Irina Bokova apela aos responsáveis para que cessem a destruição imediata e pede que todas as partes em conflito tomem as medidas necessárias para garantir a proteção deste patrimônio mundial, juntamente com todos os bens culturais da Síria”, disse a UNESCO em comunicado.

A Agência lembrou que todas as partes envolvidas no conflito têm obrigações legais no âmbito da Convenção de Haia de 1954 para a Proteção dos Bens Culturais em caso de Conflito Armado. O acordo do qual a Síria é signatária determina que os lados em confronto se abstenham de qualquer ato de hostilidade dirigido contra a propriedade cultural.

Os castelos danificados Crac des Chevaliers e Qal’at Salah El-Din foram definidos por Bokova como “exemplos notáveis” da arquitetura fortificada na região. Ambos estão entre os seis locais na Síria recentemente inscritos para a Lista da UNESCO do Patrimônio Mundial em Perigo.