Fim das doenças tropicais negligenciadas trará ganhos econômicos para os governos, afirma OMS

Em seu último relatório, a agência da ONU afirma que com um aumento de apenas 0,1% dos gastos em saúde, governos podem reduzir a pobreza e melhorar a prevenção dessas doenças, economizando os gastos em tratamento e aumentando a produtividade do país.

Jovem nigeriana carrega água de rio infestado por mosquitos que causam a cegueira dos rios. Foto: Irin/Kate Holt

Jovem nigeriana carrega água de rio infestado por mosquitos que causam a cegueira dos rios. Foto: Irin/Kate Holt

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu investimentos para os países afetados por 17 doenças tropicais negligenciadas, uma ação que poderia beneficiar diretamente a saúde e o bem-estar de mais de 1,5 bilhão de pessoas. O apelo foi feito nesta quinta-feira (19) na sede da agência em Genebra, na Suíça.

Ao aumentar o investimento em apenas 0,1% dos gastos domésticos em saúde, governos de países de baixa e média renda podem evitar a prevenção de doenças como leishmaniose, hanseníase, doença de chagas, dengue, raiva, entre outras. Segundo a diretora da OMS, Margaret Chan, esses investimentos ajudariam a “aliviar a miséria, distribuir os ganhos econômicos de forma mais igualitária e tirar muitas pessoas da pobreza.”

O recém-lançado relatório da OMS, “Investir para superar o impacto das doenças tropicais negligenciadas”, destaca algumas ações necessárias para diminuir o número de tratamentos e promover a redução e eliminação dessas doenças, que afetam principalmente as populações mais pobres e vulneráveis, como o acesso universal ao setor de saúde e investimentos em água e saneamento.

Além da diminuição de gastos no setor de saúde, a erradicação dessas doenças ou sua detecção precoce permitiria às crianças permanecerem mais tempo na escola e aos adultos no trabalho, incentivando um crescimento da economia como um todo.

O documento também ressalta que a rápida urbanização, a falta de planejamento, as mudanças climáticas e os impactos no meio ambiente são fatores que contribuem para a propagação dessas doenças anteriormente apenas associadas a zonas tropicais, como a dengue, que hoje se encontra em 150 países.