Fim da pobreza extrema é crucial para um futuro sustentável, diz chefe da ONU

Um futuro sustentável para todos é improvável, a menos que a globalização beneficie todas as crianças, suas famílias e comunidades, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em sua mensagem para o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, nesta quinta-feira (17).

Observado a cada 17 de outubro, a data reconhece o esforço e a luta de mais de 700 milhões de pessoas em todo o mundo que vivem com menos de 1,90 dólar por dia.

“O fim da pobreza extrema está no centro dos esforços do mundo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um futuro sustentável para todos. Mas o sucesso em não deixar ninguém para trás permanecerá ilusório se não atingirmos as pessoas que estão mais atrás primeiro”, afirmou o secretário-geral.

As crianças sentam-se em frente à sua nova escola, feita de tijolos de plástico reciclado em Sakassou, no centro da Costa do Marfim. Foto: UNICEF/Frank Dejongh

As crianças sentam-se em frente à sua nova escola, feita de tijolos de plástico reciclado em Sakassou, no centro da Costa do Marfim. Foto: UNICEF/Frank Dejongh

Um futuro sustentável para todos é improvável, a menos que a globalização beneficie todas as crianças, suas famílias e comunidades, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em sua mensagem para o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, nesta quinta-feira (17).

Observado a cada 17 de outubro, a data reconhece o esforço e a luta de mais de 700 milhões de pessoas em todo o mundo que vivem com menos de 1,90 dólar por dia.

“O fim da pobreza extrema está no centro dos esforços do mundo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e construir um futuro sustentável para todos. Mas o sucesso em não deixar ninguém para trás permanecerá ilusório se não atingirmos as pessoas que estão mais atrás primeiro”, afirmou o secretário-geral.

Guterres observou que o foco da data este ano é “agir em conjunto para capacitar crianças, suas famílias e comunidades a acabar com a pobreza”, uma vez que a data ocorre durante o trigésimo aniversário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança.

Ele disse que as crianças têm duas vezes mais chances de viver em extrema pobreza do que os adultos, o que as condena a “desvantagens ao longo da vida” e perpetuando “uma transferência intergeracional de privações”.

Além disso, as crianças de hoje viverão com o que o chefe da ONU descreveu como “as consequências devastadoras das mudanças climáticas”, a menos que sejam tomadas medidas agora.

Guterres lembrou que as meninas correm um risco particular, mas também são uma força de mudança.

“A cada ano adicional em que uma menina permanece na escola, sua renda média aumenta ao longo da vida, suas chances de se casar precocemente diminuem e há claros benefícios de saúde e educação para seus filhos, o que se torna um fator essencial para quebrar o ciclo da pobreza”, disse. O fim da pobreza é o primeiro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) adotados pelos líderes mundiais em 2015.

O secretário-geral da ONU disse que lidar com a pobreza familiar é uma das chaves para tirar as crianças dessa condição.

Ele sublinhou que, embora o acesso a serviços sociais de qualidade deva ser uma prioridade, quase dois terços das crianças carecem de políticas de proteção social. A licença parental, acordos de trabalho flexíveis e outras políticas familiares também são indispensáveis.

Guterres encerrou sua mensagem com um chamado à ação: “neste Dia Internacional, vamos nos comprometer a alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 1 e uma globalização justa que funcione para todas as crianças, suas famílias e comunidades”.

Índice de Pobreza Multidimensional

Em mensagem para a data, o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Achim Steiner, disse que a ocasião é um momento para refletir sobre as grandes incursões realizadas para acabar com o flagelo da pobreza. Houve uma queda maciça nas taxas globais de pobreza extrema — de 36% em 1990 para 8,6% em 2018 —, aumentando amplamente as oportunidades econômicas e sociais para muitas pessoas em todo o mundo.

Apesar do rápido declínio da pobreza extrema, de mais de 1 bilhão de pessoas nas últimas três décadas, aproximadamente 700 milhões de pessoas ainda vivem com menos de 1,90 dólar por dia.

A linha de pobreza internacional não descreve completamente como as pessoas vivenciam a pobreza de maneiras múltiplas e simultâneas. O Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) tenta capturar a maneira pela qual as pessoas vivenciam a pobreza em seu cotidiano. Por exemplo, os indicadores do IPM examinam se uma família tem acesso a água potável, instalações sanitárias ou eletricidade ou se um membro da família completou cinco anos de escolaridade.

Os dados do IPM mostram que 1,3 bilhão de pessoas em todo o mundo são, de fato, multidimensionalmente pobres. O IPM também destaca claramente que existem pessoas pobres vivendo fora de países pobres, fora de regiões pobres e fora de famílias pobres.

Os resultados do IPM mostram que as crianças sofrem mais intensamente a pobreza do que os adultos e são mais propensas a serem privadas em todos os 10 indicadores do Índice, carecendo de itens essenciais, como água potável, saneamento, nutrição adequada ou educação fundamental.

“Ainda mais impressionante é que, globalmente, uma em cada três crianças é multidimensionalmente pobre, em comparação com um em cada seis adultos. Isso significa que quase metade das pessoas que vivem na pobreza multidimensional – 663 milhões – são crianças, com as crianças mais novas carregando o maior fardo.”

“Portanto, o tema do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza deste ano é pertinente, pois foca em ‘Atuar em Conjunto para Capacitar as Crianças, suas Famílias e Comunidades para Acabar com a Pobreza’. Políticas e estratégias eficazes para prevenir e erradicar a pobreza infantil devem considerar as famílias e as comunidades como o núcleo de ação para interromper os ciclos de pobreza intergeracionais.”

A proteção dos direitos humanos das crianças também é fundamental – incluindo o direito de serem protegidas contra todas as formas de abuso e violência, salientou o administrador do PNUD. Nesse sentido, 2019 também marca o 30º aniversário da adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança – um tratado histórico de direitos humanos que protege os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais de todas as crianças, independentemente de sua raça, sexo, religião ou habilidades, lembrou.

“Hoje, gostaria de reconhecer e elogiar o trabalho vital do UNICEF para salvar a vida das crianças, defender seus direitos e ajudá-las a alcançar seu potencial desde a primeira infância até a adolescência. O PNUD continuará sendo um parceiro próximo do UNICEF – particularmente ao trabalharmos juntos para erradicar a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares até o ano de 2030.”