Filme sobre trabalho escravo contemporâneo é lançado em mais duas cidades do MA

Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, lembrado em 28 de janeiro, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) lançam o documentário “Precisão” nesta terça-feira (28) nas cidades de Timbiras e Codó (MA).

O filme retrata as histórias de vida de seis pessoas resgatadas de condições análogas às de trabalho escravo.

Protagonistas do filme contaram suas trajetórias no evento de lançamento em São Luiz (MA). Foto: OIT

Protagonistas do filme contaram suas trajetórias no evento de lançamento em São Luiz (MA). Foto: OIT

Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, celebrado em 28 de janeiro, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) lançam o documentário “Precisão”, sobre trabalhadores(as) resgatados(as) de condições análogas ao trabalho escravo, nesta terça-feira (28) nas cidades de Timbiras e Codó (MA).

“Precisão” é a palavra utilizada pelo maranhense para definir a extrema necessidade de lutar pela sua sobrevivência. Diante da vulnerabilidade socioeconômica, é por precisão que brasileiros e brasileiras acabam submetidos a condições degradantes de trabalho.

O filme retrata as histórias de vida de seis pessoas resgatadas de condições análogas às de trabalho escravo. Algumas delas começaram a trabalhar muito cedo, aos 8 anos, sendo também vítimas de trabalho infantil em sua infância e adolescência.

Alguns dos protagonistas do documentário estarão presentes no lançamento do filme e participarão de uma roda de conversa para contar suas experiências.

O conceito de trabalho análogo à escravidão está previsto na legislação brasileira no Artigo 149 do Código Penal: “reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.”

Nos últimos 24 anos (1995-2019), as fiscalizações resgataram no Brasil mais de 54 mil trabalhadores e trabalhadoras em condições análogas à escravidão, segundo dados do Observatório da Erradicação do Trabalho Escravo e do Tráfico de Pessoas.

Desse total, cerca 31% eram analfabetas; 39% tinham estudado só até o quinto ano; 15% tinham chegado até o ensino fundamental II; e 54% se declararam negras ou pardas. Um total de 22% dos trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão no Brasil nasceu no Maranhão.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2015), existem cerca de 2,4 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalhando no Brasil.

Há uma forte relação entre trabalho infantil e trabalho escravo contemporâneo. Muitas crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil podem se tornar vítimas da exploração que caracteriza o trabalho escravo.

O documentário foi produzido pela OIT e pelo MPT, no escopo de um projeto de promoção dos princípios e direitos fundamentais do trabalho.