Filipinas ainda precisam de muita ajuda humanitária, diz brasileira coordenadora da ONU

Dos 791 milhões de dólares solicitados para suprir necessidades emergenciais, apenas 30% foram financiados até o momento. Supertufão Haiyan atingiu 14 milhões de pessoas e deslocou 4 milhões.

Coordenadora da ONU nas Filipinas, a brasileira Luiza Carvalho cumprimentando crianças de uma escola em Tacloban. Foto: OCHA/Gemma Cortes

As cidades filipinas atingidas pelo supertufão Haiyan ainda precisam de muita ajuda humanitária para se recuperar, afirmou na sexta-feira (13) a brasileira coordenadora residente e humanitária da ONU, Luiza Carvalho, depois de uma missão internacional conjunta nas áreas de Guiuan, Ormoc e Tacloban.

Após quase cinco semanas do desastre, as cidades têm feito progresso na recuperação de infraestrutura e distribuição de alimentos, abrigo e assistência médica àqueles que foram atingidos pelo tufão. Apesar disso, “as necessidades continuam enormes”, disse Carvalho.

A brasileira liderou juntamente com o secretário do Departamento de Assistência e Desenvolvimento Social das Filipinas, Corazon Soliman, uma missão para mostrar a evolução das ações emergenciais para representantes de países doadores. Visitaram as áreas as embaixadas da Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Japão, Holanda, Noruega, Suíça e, da Agência Espanhola de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional e da Fundação Filipina para a Recuperação de Desastres.

Na Escola Central de Palo, em Tacloban, eles encontraram crianças que cantavam em um centro temporário de aprendizagem. O grupo também foi a um centro de operações na região de Visayas Oriental, onde se concentra toda a ajuda que é distribuída para a região, além do bairro Barangay 88, onde um líder local disse que mil pessoas morreram na tempestade.

Segundo Soliman, na região de Visayas Oriental, 420 mil casas foram completamente destruídas e outras 200 mil foram danificadas, deixando 280 mil famílias deslocadas. Apesar dos doadores terem contribuído com 3 milhões de sacas de comida, a ajuda precisa continuar.

Em Guiuan, a delegação viu abrigos de emergência para as famílias cujas casas foram destruídas pela tempestade e, em Ormoc, a missão viu um grupo limpando escombros do pátio de uma escola, um exemplo das oportunidades de trabalho que estão sendo criadas por causa da passagem do tufão.

Estima-se que 14 milhões de pessoas foram atingidas pelo Haiyan, que deixou 4 milhões de deslocados. O apelo para ajudar o país é de 791 milhões de dólares, dos quais 30% foram financiados até o momento. A ONU destaca a necessidade de investir também em medidas para reduzir o risco de desastres naturais.