Fechar fronteiras para o comércio global só pioraria desemprego, alerta OMC

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Fechar as fronteiras dos países para o comércio global de mercadorias não traria benefícios para as economias mundiais nem reduziria o desemprego, alertou o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo.

“Fechar as fronteiras para o comércio só pioraria a situação — não traria os empregos de volta, faria mais empregos desaparecerem”, declarou Azevêdo durante coletiva de imprensa em Genebra, na qual a organização divulgou previsões sobre o comércio global deste ano.

A OMC prevê crescimento de 2,4% para o comércio global em 2017, caso a economia mundial se recupere como esperado. Foto: UNCTAD.

A OMC prevê crescimento de 2,4% para o comércio global em 2017, caso a economia mundial se recupere como esperado. Foto: UNCTAD.

Fechar as fronteiras dos países para o comércio global de mercadorias não traria benefícios para as economias mundiais nem reduziria o desemprego, alertou o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, nesta quarta-feira (12).

“Fechar as fronteiras para o comércio só pioraria a situação — não traria os empregos de volta, faria mais empregos desaparecerem”, declarou Azevêdo durante coletiva de imprensa em Genebra, na qual a organização divulgou previsões sobre o comércio global deste ano.

O diretor-geral da OMC afirmou que, apesar de haver algumas razões para otimismo, o crescimento do comércio global deve permanece frágil este ano, diante das consideráveis incertezas geopolíticas.

A OMC prevê crescimento de 2,4% para o comércio global em 2017, frente ao aumento de 1,3% em 2016, caso a economia mundial se recupere como esperado. Dada essa incerteza, a previsão de crescimento foi estabelecida entre 1,8% e 3,6%. Em 2018, a projeção é de avanço de 2,1% a 4%.

Azevêdo lembrou que o comércio global tem um papel benéfico para as economias. “Impulsiona o crescimento, a criação de empregos e o desenvolvimento”, disse. “No entanto, as preocupações das pessoas não podem ser ignoradas. O ganho líquido para a economia como um todo — ou para outros indivíduos — significa pouco para alguém que perdeu o emprego. Mas para encontrar a resposta certa, precisamos olhar para o cenário todo”.

O diretor-geral da OMC afirmou ainda que a economia está mudando rapidamente — impulsionada pela tecnologia e pela inovação. Segundo ele, oito em cada dez empregos na indústria serão perdidos para tecnologias inovadoras e de alta produtividade. A estimativa é de 65% das crianças que entram na escola primária atualmente acabarão trabalhando em empregos que ainda não existem.

“Temos que nos adaptar a essa nova realidade. Isso significa aplicar o ‘mix’ certo de políticas em uma série de áreas. No nível doméstico, as políticas são necessárias para ajudar a apoiar os trabalhadores de hoje e treinar os trabalhadores de amanhã”, declarou. “Uma maior integração comercial pode ajudar o sistema a ser mais inclusivo — conectando novas indústrias e pequenos atores a novos mercados”, afirmou.

No ano passado, o declínio das importações da América do Sul e de outras regiões (África, Oriente Médio e os países da Commonwealth) foram maiores e mais persistentes, provocadas principalmente por baixos preços das commodities. Muito do declínio da América do Sul ocorreu devido ao Brasil, que permaneceu na mira de uma recessão severa, afirmou a OMC.

Paralelamente, as exportações e importações na Europa cresceram mais rápido que na América do Norte, que estão praticamente estáveis desde o início de 2015.

A direção imprevisível da economia global no curto prazo e a falta de clareza sobre ações governamentais relativas a políticas monetárias, fiscais e de comércio elevam o risco para a atividade do comércio global. Uma alta da inflação levando a maiores taxas de juros, políticas fiscais apertadas e a imposição de medidas para restringir o comércio poderiam minar seu crescimento nos próximos dois anos, disse a OMC.

“O fraco crescimento do comércio internacional nos últimos anos reflete amplamente a contínua fraqueza da economia global”, disse Azevêdo.


Comente

comentários