FAO: temos que abordar a obesidade como uma questão pública, não individual

Comer melhor significa apoiar os pequenos agricultores, redistribuir renda, respeitar a natureza e nutrir o mundo com comida de verdade. A declaração foi feita pelo representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Rafael Zavala, durante o segundo dia das comemorações do Dia Mundial da Alimentação 2019, na terça-feira (17), em Brasília (DF).

“Os números globais de desnutrição crescem e mostram que uma alimentação nutritiva ainda está longe de se tornar um bem comum. Enquanto lutamos contra a fome, a obesidade aumenta de forma ainda mais rápida. Hoje, são 672 milhões de adultos obesos em todo o planeta”, disse o representante. “Temos que abordar a obesidade como uma questão pública, não como um problema individual”, declarou.

Obesidade no Brasil será discutida em conferência da FAO na Jamaica. Foto: Flickr/Tony Alter (CC)

Obesidade é fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes. Foto: Flickr/Tony Alter (CC)

Comer melhor significa apoiar os pequenos agricultores, redistribuir renda, respeitar a natureza e nutrir o mundo com comida de verdade. A declaração foi feita pelo representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Rafael Zavala, durante o segundo dia das comemorações do Dia Mundial da Alimentação 2019, na terça-feira (17), em Brasília (DF).

Este ano, junto à FAO, a data foi celebrada de forma conjunta com outras três organizações internacionais: Programa Mundial de Alimentos (PMA), Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Segundo Zavala, a quantidade de subnutridos no mundo aumentou nos últimos três anos para 821 milhões. Conflitos armados, desaceleração econômica ou crescimento negativo em alguns países, mudanças climáticas e desigualdade social são os principais causadores do aumento da insegurança alimentar, salientou.

“Os números globais de desnutrição crescem e mostram que uma alimentação nutritiva ainda está longe de se tornar um bem comum. Enquanto lutamos contra a fome, a obesidade aumenta de forma ainda mais rápida. Hoje, são 672 milhões de adultos obesos em todo o planeta”, disse o representante. “Temos que abordar a obesidade como uma questão pública, não como um problema individual”, declarou.

Para o diretor adjunto do Centro de Excelência contra a Fome do PMA, Peter Rodrigues, é preciso uma mudança de hábitos alimentares. “Para isso, é necessária uma agricultura sustentável”, avaliou.

Já o representante do IICA no Brasil, Hernán Chiriboga, destacou a importância da agricultura familiar, que todos os dias fornece alimentos saudáveis que chegam à mesa da população. “Temos que trabalhar todos juntos, agências internacionais, governos, iniciativa privada, ONGs, para ter uma produção sustentável de alimentos para combater especialmente a fome e também para reduzir a obesidade.”

“O Dia Mundial da Alimentação é uma data propícia para renovar a urgência do compromisso com a Agenda 2030, para tornar realidade o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente a erradicação da pobreza e da fome. Para isso, focar nas zonas rurais é imprescindível”, afirmou a diretora regional do FIDA para a América Latina e o Caribe, Rossana Polastri.

O Dia Mundial da Alimentação de 2019, comemorado em 150 países no dia 16 de outubro, também marca o aniversário da fundação da FAO, em 1945. Este ano, a campanha tem como tema “Nossas ações representam o nosso futuro: dietas saudáveis para um mundo fome zero”.

Obesidade no mundo e no Brasil

A obesidade e outras formas de desnutrição afetam uma em cada três pessoas no mundo. As projeções indicam que essa proporção no ano de 2025 se tornará uma em cada duas.

Segundo o último relatório da FAO, enquanto a fome afetou 821 milhões de pessoas em todo o mundo em 2017, a proporção de adultos obesos chegou a 13,3% em 2016 – o equivalente a 672 milhões de adultos e 124 milhões de meninas e meninos (de 5 a 19 anos) obesos e mais de 40 milhões de crianças com menos de 5 anos acima do peso.

No Brasil, enquanto a fome atinge menos de 2,5% da população, a obesidade já afeta quase 20% dos brasileiros. Em algumas regiões, como o Nordeste, outras facetas da má nutrição ainda persistem: a desnutrição infantil, por exemplo, segue acima dos 5%.