FAO: Reunidos em Quito, presidentes da América Latina priorizam segurança alimentar na região

Durante a IV Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), chefes de Estado e de Governo aprovaram uma declaração especial onde reconheceram a contribuição direta da agricultura familiar para a segurança alimentar e nutricional e para o desenvolvimento sustentável.

A presidenta Dilma Rousseff durante Sessão de abertura da IV Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos - CELAC. Foto: PR/ Roberto Stuckert Filho

A presidenta Dilma Rousseff durante Sessão de abertura da IV Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos – CELAC. Foto: PR/ Roberto Stuckert Filho

Chefes de Estado e de Governo da América Latina e Caribe reunidos em Quito para a IV Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) aprovaram nesta quarta-feira (27) uma declaração especial sobre a Segurança Alimentar em uma reunião que contou com a presença do diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva e da presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

Os presidentes reafirmaram o compromisso de priorizar a consolidação e a implementação do Plano de Segurança Alimentar, Nutricional e Erradicação da Fome da CELAC 2025, e reiteraram o pedido de apoio da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

O Plano SAN CELAC 2025, em janeiro de 2015, se baseia em quatro pilares que abordam diferentes temáticas, tais como: a coordenação de estratégias em âmbito nacional e regional com enfoque de gênero; acesso oportuno e sustentável a alimentos inócuos e nutritivos; ampliação dos programas de alimentação escolar priorizando uma atenção a todas as formas de má-nutrição, desde a subalimentação até a obesidade e; finalmente, a estabilidade na produção e enfrentamento oportuno aos problemas que surgem com as mudanças climáticas.

O diretor-geral da FAO expressou sua satisfação com a declaração aprovada, e garantiu o compromisso e completo apoio para a implementação do Plano, “esta nova declaração ratifica uma vez mais que a segurança alimentar permanece no mais alto nível político da região”.

Na declaração os presidentes reconheceram a contribuição direta da agricultura familiar para a segurança alimentar e nutricional e para o desenvolvimento sustentável, e por isso insistiram na importância do segundo pilar do Plano CELAC que fomenta os programas de transferências condicionadas, a melhora dos mercados de trabalho e um forte apoio da agricultura familiar.

“Além da busca por uma produção agrícola sustentável, o Plano engloba não só a luta contra a fome, mas também contra todas as formas de má-nutrição. Algo que é especialmente importante, já que a obesidade está aumentando de maneira preocupante na região, principalmente entre as crianças”, ressaltou Graziano da Silva.

Elaborado com a ajuda da FAO, da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), o Plano está diretamente focado no alcance do bem estar nutricional de todos os grupos em situação de vulnerabilidade. O documento reúne as principais políticas e experiências exitosas dos países para criar um roteiro regional que consiga erradicar a fome.

Os chefes de Estado reiteraram o pedido de apoio realizado pela FAO na II Reunião do Grupo de Trabalho da CELAC sobre o Avanço das Mulheres, no sentido de elaborar e colocar em marcha uma estratégia de gênero que garantam o empoderamento das mulheres rurais.

Reafirmaram ainda a intenção de participar construtivamente da XXXIV Conferência Regional da FAO que será realizada de 29 de fevereiro a 3 de março de 2016 na cidade do México com a intenção de elaborar estratégias que abordem os temas assinalados na declaração aprovada hoje.