FAO: Produtos agrícolas deverão manter preços baixos nos próximos dois anos

Depois do enfraquecimento em 2013, o preço do açúcar se recupera impulsionado pela forte demanda global. As exportações do Brasil serão influenciadas pelo mercado de etanol.

Depois do enfraquecimento em 2013, o preço do açúcar se recupera impulsionado pela forte demanda global. As exportações do Brasil serão influenciadas pelo mercado de etanol.

A grande demanda por biocombustíveis incentivará um crescimento na produção de oleaginosas, grãos e açúcar. Foto: Sweeter Alternative (Creative Commons)

A grande demanda por biocombustíveis incentivará um crescimento na produção de oleaginosas, grãos e açúcar. Foto: Sweeter Alternative (Creative Commons)

A recente queda dos preços das principais culturas deverá manter-se ao longo dos próximos dois anos, de acordo com o mais recente relatório Perspetivas Agrícola 2014-2023. O documento também indica crescimento em vários cultivos agrícolas, como o de grãos, oleaginosas e açúcar, principalmente impulsados pela forte demanda por combustível, que aumentará em mais de 50%. Como dominante exportador de açúcar do mundo, o Brasil poderá ser um dos países beneficiados com a recuperação do preço do açúcar.

Produzido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o relatório mostra que o preço dos produtos agrícolas deve se estabilizar acima do período pré-2008, mas significativamente abaixo dos recentes picos.

Os cereais continuam a servir como base de alimentação, mas, em muitas partes do mundo, as dietas passam a centrar-se cada vez mais em proteínas, gorduras e açúcar, à medida que os rendimentos e a urbanização aumentam.

Tais mudanças, combinadas com o crescimento da população global, exigirão um aumento substancial da produção na próxima década. Lideradas pela Ásia e pela América Latina, as regiões em desenvolvimento serão responsáveis por mais de 75% dessa produção agrícola adicional ao longo da próxima década.

O documento também indica que o crescimento de cultivos de grãos, oleaginosas e açúcar não se dedicará somente à alimentação e sim para suprir a forte demanda por biocombustíveis, que aumentará em mais de 50%. Depois do enfraquecimento no final de 2013, os preço do açúcar está se recuperando, impulsado pela forte demanda global. As exportações do Brasil, maior exportador de açúcar do mundo, serão influenciadas pelo mercado de etanol.

“Este ano a mensagem do relatório é mais positiva. Os agricultores reagiram muito rapidamente aos preços elevados e aumentaram a sua produção, de modo que agora temos mais oferta. Esperamos que os preços dos cereais baixem pelo menos nos próximos dois anos”, afirmou o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

“O panorama é diferente para a carne e o peixe, porque estamos perante uma procura crescente. O bom desempenho do setor agrícola, particularmente nos países em desenvolvimento, vai contribuir para a erradicação da fome e da pobreza”, acrescentou.