FAO pede apoio de governos e setor privado para combater fome e obesidade na América Latina e Caribe

Na Jamaica, a 35ª Conferência da FAO para a América Latina e o Caribe começou com um apelo do organismo das Nações Unidas por mais esforços pelo fim da fome. Na abertura do encontro, na segunda-feira (5), o representante da agência, Julio Berdegué, lembrou que a fome voltou a crescer e já afeta 42,5 milhões de pessoas na região. Evento tem quórum inédito, recebendo pela primeira vez delegações de todos os 33 países-membros da FAO a nível regional.

Fome na América Latina e no Caribe aumentou e já afeta 42,5 milhões de pessoas. Foto: FAO

Fome na América Latina e no Caribe aumentou e já afeta 42,5 milhões de pessoas. Foto: FAO

Na Jamaica, a 35ª Conferência da FAO para a América Latina e o Caribe começou com um apelo do organismo das Nações Unidas por mais esforços pelo fim da fome. Na abertura do encontro, na segunda-feira (5), o representante da agência, Julio Berdegué, lembrou que 42,5 milhões de pessoas não têm o que comer na região. Evento tem quórum inédito, recebendo pela primeira vez delegações de todos os 33 países-membros da FAO a nível regional.

“Em termos de participação, esta é a conferência mais assistida nos 40 anos da história da FAO na América Latina e no Caribe”, afirmou Berdegué. Além de 37 ministros e vice-ministros, também estão presentes cerca de 50 observadores de ONGs, sociedade civil, setor privado e academia. Um total de 250 pessoas, o dobro do número médio das conferências passadas, participarão do evento, que se encerra na próxima quinta-feira (8).

“Isso demonstra pelo menos duas coisas: a preocupação dos países em relação ao fato inédito, não visto em duas décadas, do aumento da fome, da obesidade e da pobreza rural e também é um reconhecimento do trabalho que a FAO vem fazendo junto aos países nos últimos dois anos”, acrescentou o representante da agência da ONU.

De 2015 para 2016, o número de latino-americanos e caribenhos passando fome aumentou em 2,4 milhões. Para reverter essas tendências negativas, Berdegué pediu aos países-membros da FAO um mandato político claro para que a Organização possa concentrar seus esforços e recursos em iniciativas que tenham um impacto em grande escala.

“A América Latina e o Caribe já demonstraram que podem reduzir a fome, (a região) cumpriu esse Objetivo de Desenvolvimento do Milênio. É algo que já fizemos, e muito bem. Mas acreditamos que a tarefa já estava cumprida. No entanto, os números estão nos dizendo que não”, alertou o dirigente. Berdegué disse que a solução do problema consiste em considerar o combate à fome “uma prioridade política”.

O especialista também elogiou a participação de representantes de empresas no evento, mas cobrou compromissos com as pautas de saúde e alimentação das Nações Unidas.

“Estamos muito satisfeitos por ter o setor privado sentado à mesa para discutir. Eles nos dizem que querem fazer parte da solução para os problemas da má nutrição e da obesidade. Esta boa intenção tem que ser traduzida em ações concretas. Precisamos de mudanças nas grandes empresas de alimentos para vencer a epidemia de obesidade, da mesma maneira que precisamos de melhores políticas públicas”, defendeu Berdegué.

A conferência é a mais alta instância decisória da FAO a nível regional e definirá prioridades para o trabalho do organismo da ONU para os próximos dois anos.

FAO firma parceria com banco caribenho

Também na segunda-feira (5), a FAO anunciou um acordo com o Banco de Desenvolvimento do Caribe, o CDB, na sigla em inglês. Além de permitir à FAO a realização de novas iniciativas com fundos do organismo financeiro, a parceria vai aprimorar a assistência técnica já oferecida pela agência das Nações Unidas em projetos implementados com recursos do banco.

“Precisamos de vínculos mais estreitos entre a FAO e outros parceiros para o desenvolvimento se quisermos abordar os principais desafios que ameaçam a segurança alimentar regional: o aumento da fome e do sobrepeso, a pobreza rural e as mudanças climáticas”, disse a coordenadora sub-regional interina da agência da ONU para o Caribe, Lystra Fletcher-Paul.

A cooperação também prevê que a FAO e o banco prestem assistência conjunta aos países que sejam membros das duas instituições.