FAO: Países da América Latina e Caribe adotam medidas para acabar com a fome até 2025

Durante conferência no México, governos elegeram três prioridades para a FAO: erradicar a fome; fomentar o uso sustentável dos recursos naturais, a adaptação às mudanças climáticas e a gestão de riscos; e fortalecer o desenvolvimento rural e a agricultura familiar. Cerca de 34 milhões ainda sofrem com problema em toda a região.

A pedido dos governos da região, a FAO vai implementar nos próximos dois anos iniciativa focada em apoiar as principais estratégias de segurança alimentar na região. Foto: FAO

A pedido dos governos da região, a FAO vai implementar nos próximos dois anos iniciativa focada em apoiar as principais estratégias de segurança alimentar na região. Foto: FAO

Erradicar a fome, fomentar o uso sustentável dos recursos naturais, a adaptação às mudanças climáticas e a gestão de riscos, além de fortalecer o desenvolvimento rural e a agricultura familiar são as três prioridades que os governos da América Latina e Caribe assinalaram para a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), durante a Conferência Regional realizada na Cidade do México.

No evento, que aconteceu entre os dias 29 de fevereiro e 3 de março, os governos da região acordaram medidas para dar uma resposta às 34 milhões de pessoas que ainda sofrem com a fome na região.

“A América Latina e o Caribe propôs acabar com a fome e a desnutrição em menos de dez anos e FAO trabalhará em estreita colaboração com os países para alcançar essa meta”, disse o brasileiro José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO.

Nos próximos dois anos a FAO vai implementar uma iniciativa focada em apoiar as principais estratégias de segurança alimentar na região, como a Iniciativa América Latina e Caribe e o Plano de Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome da CELAC.

“Os países foram muito claros: a prioridade regional é erradicar a fome até o ano de 2025, e a FAO vai dedicar todos seus esforços para tornar esse sonho uma realidade”, acrescentou Graziano.

Uma resposta integral às mudanças climáticas

Em resposta ao mandato dos países, a FAO vai desenvolver uma iniciativa regional prioritária que fomentará o uso sustentável dos recursos naturais, a adaptação às mudanças climáticas e a gestão de risco de desastres.

A iniciativa vai dedicar especial atenção ao ‘Corredor Seco da América Central’, onde milhões de pessoas viram a sua segurança alimentar afetada. “No ano passado, a seca do Corredor Seco era um fenômeno cíclico associado ao El Niño. Atualmente, a mudança climática vem causando secas mais irregulares, prolongadas e imprevisíveis”, explicou Graziano da Silva.

Os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, muitos dos quais localizados no Caribe, também solicitaram um apoio imediato, já que para eles as mudanças climáticas representam a maior urgência.

Graziano da Silva pediu aos países para ratificar o chamado acordo internacional ‘Estado Reitor do Porto’, que busca combater a pesca ilegal. A expectativa é que mais cinco países ratifiquem esse acordo durante este ano para que entre em vigor.

“Esse tratado pode ser uma poderosa ferramenta para fomentar o desenvolvimento sustentável, e representa uma urgência de primeira necessidade para os Pequenos Estados Insulares”, explicou.

Deter o auge da obesidade

Durante a Conferência, a FAO assinou dois acordos, um com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) e outro com o ‘Consumers International’, ambos buscando impulsionar a luta contra o aumento da obesidade e o sobrepeso na região.

De acordo com dados da OPAS/OMS, 56% dos adultos na América Latina e 44% no Caribe vivem com sobrepeso.

Para enfrentar essa situação, a FAO e a OPAS assinaram um convênio para fortalecer as políticas regionais de erradicação da má nutrição e implementar as recomendações da Conferência Internacional sobre Nutrição (CIN2) e a nova Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

A FAO também firmou um acordo com o ‘Consumers International’ que tem como objetivo, conforme expressou o diretor-geral, “converter o ato de consumir e comprar em um ato de cidadania consciente, que considere desde os aspectos relativos à saúde e a nutrição até os impactos ambientais”.

Desencadear o potencial rural

A pobreza segue afetando 47% dos habitantes das zonas rurais da região, uma taxa duas vezes maior que nas áreas urbanas.

Em resposta à solicitação dos países, a FAO vai implementar uma iniciativa centralizada em promover a agricultura familiar, os sistemas alimentares inclusivos e o desenvolvimento rural sustentável.

Essa iniciativa facilitará o acesso dos agricultores familiares a ativos, serviços financeiros e não financeiros, fortalecendo as organizações de produtores.

Além disso, articulará as políticas de proteção social com os programas produtivos, estimulando as compras públicas da agricultura familiar, os circuitos curtos de produção e a melhora dos sistemas públicos de abastecimento.

Para evitar os ciclos de empobrecimento devido às crises, essa iniciativa vai trabalhar para melhorar a resiliência das famílias rurais diante dos choques e emergências.

México e Peru unem esforços com a FAO para acabar com a fome

Durante a Conferência, a FAO assinou dois acordos com os governos do México e do Peru para fortalecer os desafios como sócios estratégicos na luta contra a fome.

Entre as diversas áreas que abordam esses acordos, se destaca o trabalho conjunto com a FAO em temas de cooperação sul-sul.

Graziano da Silva destacou que tanto o México quanto o Peru mostram um progresso importante, pois já deixaram de ser somente beneficiários da cooperação internacional para se converterem em doadores de cooperação por meio de suas experiências exitosas.

“México e Peru são agora sócios estratégicos da FAO na promoção de sistemas agroalimentares sustentáveis e na erradicação da fome e da pobreza”, ressaltou Graziano da Silva.