FAO nomeia especialista da República Dominicana como embaixadora regional para erradicação da fome

Guadalupe Valdez tem um longo histórico de luta junto aos pequenos agricultores dominicanos, tendo lidado com problemas de posse de terra, acesso à água, comércio justo e falta de mercados para os produtos locais. A especialista e também ex-deputada vai integrar iniciativa da ONU para dobrar produtividade da agricultura familiar e aumentar renda de pequenos produtores na América Latina e Caribe.

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) designou na quarta-feira (31) a ex-deputada e especialista da República Dominicana, Guadalupe Valdez, como embaixadora especial para a Fome Zero na América Latina e Caribe. A política lidera uma frente parlamentar criada entre países da região para combater a insegurança alimentar.

Com a nomeação, Valdez se torna apoiadora do Desafio Fome Zero, iniciativa mundial lançada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e que tem, entre seus objetivos, dobrar a produtividade do setor de alimentos e aumentar a renda de pequenos agricultores

O projeto também busca acabar com o desperdício de comida e eliminar as perdas pós-colheita, além de garantir acesso à alimentação adequada para todos, durante todas as épocas do ano. Erradicar o atraso no crescimento de crianças menores de dois é outra das metas do programa.

“O compromisso que assumi de lutar para erradicar a fome e a má nutrição é um compromisso ético inegociável, não apenas com o meu país, mas como todos os povos do mundo”, afirmou Guadalupe ao receber o título.

A deputada também encabeçou a  Frente Parlamentar da Câmara dos Deputados da República Dominicana, onde lutou pela aprovação da Lei de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional do país.

Vida marcada pelo compromisso social

Descendente de mãe mexicana e pai dominicano, Valdez conheceu a causa dos pequenos agricultores enquanto cursava economia na Universidade Autônoma de Santo Domingo.

Motivada por professores a colaborar com a comunidade rural do município de Padre Las Casas, afetado pelo ciclone David em 1979, a então jovem estudante mal imaginava que passaria mais de dez anos visitando a cidade todos os finais de semana, para ministrar  cursos para as organizações de agricultores.

Valdez tomou para si as demandas desses produtores familiares dominicanos, trabalhando com problemas de posse de terra, acesso à água, comércio justo e a falta de mercados para os produtos locais.

“Eles precisam de políticas integrais que garantam que homens e mulheres do campo possam sair do estado de pobreza e exclusão social”, explicou a especialista.

Além do curso de economia, ela também tem mestrado em educação superior e outro em alta direção pública.

Além de ter trabalhado na área social, como consultora de organismos internacionais e instituições acadêmicas, Valdez atuou no setor público como vice-ministra da pasta federal da Educação e foi eleita deputada em 2010, cargo que ocupou até 16 de agosto deste ano.

Institucionalização do combate à fome

Ao coordenar as frentes parlamentares, Valdez batalhou para colocar a luta contra a fome nas agendas dos legisladores e do Executivo, cobrando que orçamentos nacionais destinassem os recursos necessários para atender às necessidades de todos os cidadãos.

Na América Latina e Caribe, existem 21 juntas de parlamentares que buscam implementar medidas para formalizar a demanda por mais segurança alimentar.

Atualmente, oito países já contam com leis voltadas para o combate à fome. Em outras nações como o México, o direito à alimentação foi incorporado como um direito constitucional.