FAO monitora nuvem de gafanhotos que passa por Argentina e pode chegar ao Brasil

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil está acompanhando a movimentação de uma nuvem de gafanhotos que passa pela Argentina e pode chegar ao Rio Grande do Sul, segundo informou a imprensa do país vizinho.

A FAO considera o gafanhoto do deserto “a praga migratória mais destrutiva do mundo”. Uma nuvem de 1 quilômetro quadrado destes insetos pode consumir a mesma quantidade de alimento que 35 mil pessoas em um dia. A preocupação da agência é a possibilidade de uma crise humanitária ser criada por tal situação.

A praga do gafanhoto do deserto é a mais destrutiva do mundo. Um nuvem de 1km² destes insetos pode consumir a mesma quantidade de comida que 35 mil pessoas consumiriam em apenas um dia. Foto: FAO

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil está acompanhando a movimentação de uma nuvem de gafanhotos que passa pela Argentina e pode chegar ao Rio Grande do Sul, segundo informou a imprensa do país vizinho.

O agrônomo da FAO Fernando Rati explicou que a forma mais eficaz de combater a praga é através da pulverização aérea, e disse que as autoridades brasileiras estão monitorando a situação em tempo real.

A FAO considera o gafanhoto do deserto “a praga migratória mais destrutiva do mundo”. Uma nuvem de um quilômetro quadrado destes insetos pode consumir a mesma quantidade de alimento que 35 mil pessoas comeriam em um dia. A preocupação da agência é com a possibilidade de uma crise humanitária que possa ser criada por tal situação.

Na terça-feira (23), autoridades argentinas informaram que os gafanhotos do deserto haviam sido vistos na região de Santa Fé, a 250 km da fronteira com o Brasil. A informação foi dada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural e o Ministério da Agricultura da Argentina a veículos da imprensa argentina.

Os produtores do norte do país estão preocupados com a ameaça de milhares de gafanhotos do deserto arrasarem plantações e pastagens. Os danos ainda não foram calculados, mas estima-se que milhares de hectares de plantações possam ser perdidos.

“Com relação a essa onda de gafanhotos que pode atingir o Brasil nos próximos dias ou horas, o método de prevenção mais importante neste momento é um plano de monitoramento de como está sendo o deslocamento dos gafanhotos em tempo real. Principalmente junto às autoridades dos países Argentina e Uruguai. O Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento aqui do Brasil, liderado pela ministra Tereza Cristina, já tem uma equipe de técnicos e autoridades”, explicou o agrônomo da FAO.

“Eles estão monitorando em tempo real esse tema. Caso a concentração dos gafanhotos atinja o Brasil, o ideal é que as regiões afetadas sejam notificadas com tempo hábil para que as devidas precauções sejam tomadas”, afirmou o agrônomo.

Ele também explicou que há dois métodos usados para o controle dos gafanhotos: “o primeiro é a pulverização terrestre, onde utilizamos pulverizadores com otimizador em faixas porque é mais efetivo, e a pulverização aérea, por aviões, que é mais eficiente do que a terrestre”.

O agrônomo lembrou também que lidar com gafanhotos requer muita atenção fitossanitária. Ele destacou que é importante consultar o melhor ingrediente ativo a ser utilizado nesse controle e tomar cuidados com todos os seres vivos na área a ser pulverizada como acontece em outros países que passam pela invasão.

Países do leste da África como Etiópia, Somália, Eritreia, Djibuti, Quênia, Sudão, Etiópia, Uganda e Sudão do Sul vivem danos causados pelo pior surto de gafanhotos do deserto em décadas.

A situação começou em 2019 na Ásia, quando o Iêmen, a Arábia Saudita, o Irã e parte da fronteira indo-paquistanesa viram chegar os primeiros insetos após fortes chuvas.

Assista o vídeo com o agrônomo da FAO Fernando Rati.