FAO lista sete maneiras de ampliar acesso de mulheres rurais à tecnologia

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) melhoram a vida dos pequenos agricultores de diversas maneiras, desde o monitoramento de safras até o acompanhamento dos preços de mercado e a disseminação de boas práticas para facilitar o acesso a serviços bancários.

No entanto, muito desse potencial permanece inexplorado, particularmente no caso das mulheres, que desempenham um papel fundamental na produção agrícola, mas também enfrentam desigualdades digital, rural e de gênero. Muitas vezes, elas tendem a ter menos acesso às TIC, o que as deixa em desvantagem.

Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) listou sete maneiras de ampliar o acesso de mulheres rurais às Tecnologias de Informação e Comunicação.

De acordo com o censo demográfico mais recente, as mulheres rurais são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil.. Foto: Banco Mundial/Andrea Borgarello

De acordo com o censo demográfico mais recente, as mulheres rurais são responsáveis pela renda de 42,2% das famílias do campo no Brasil. Foto: Banco Mundial/Andrea Borgarello

A revolução digital mudou a forma como trabalhamos, acessamos informações e nos conectamos uns aos outros. Ela oferece oportunidades para aqueles que podem usar as tecnologias, mas também apresenta desafios para aqueles que são deixados para trás.

Frequentemente referidas como Tecnologias de Informação e Comunicação, ou TICs, essas tecnologias são qualquer método de compartilhar ou armazenar dados eletronicamente: celulares, banda larga móvel, Internet, redes de sensores, armazenamento e análise de dados e muito mais.

As TICs melhoram a vida dos pequenos agricultores de diversas maneiras, desde o monitoramento de safras até o acompanhamento dos preços de mercado e a disseminação de boas práticas para facilitar o acesso a serviços bancários.

No entanto, muito desse potencial permanece inexplorado, particularmente no caso das mulheres, que desempenham um papel fundamental na produção agrícola, mas também enfrentam desigualdades digital, rural e de gênero. Muitas vezes, elas tendem a ter menos acesso às TIC, o que as deixa em desvantagem.

Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) listou sete maneiras de ampliar o acesso das comunidades rurais às Tecnologias de Informação e Comunicação, especialmente das mulheres.

1. Adapte o conteúdo

Embora as TICs possam fornecer grandes quantidades de informações, isso não quer dizer que todas elas serão usadas. A adaptação do conteúdo às necessidades locais, idiomas e contextos continua sendo um desafio. Assim, o conteúdo deve ser adaptado para idiomas locais e reempacotado para se adequar a formatos que atendam às diferentes necessidades de informação.

2. Crie ambiente seguro para compartilhamento e aprendizagem

O analfabetismo e as habilidades limitadas no uso de dispositivos complexos para buscar informações, assim como questões culturais, permanecem como barreiras enfrentadas pelas comunidades rurais para usar as TICs. Por exemplo, fazendeiros analfabetos e mais velhos geralmente têm habilidades digitais menos desenvolvidas e, portanto, geralmente são menos propensos a utilizar tecnologias.

A alfabetização digital em instituições e comunidades rurais deve ser desenvolvida e aprimorada, levando em consideração as necessidades e limitações locais, oferecendo oportunidades de aprendizado adequadas a homens, mulheres, jovens e pessoas com deficiência, o que aumentará as habilidades de tomada de decisões individuais e coletivas.

Normas sociais, falta de conectividade e pobreza são algumas das razões pelas quais as mulheres rurais têm menos acesso às TICs. As políticas de inclusão digital devem levar em conta o gênero para permitir que homens e mulheres acessem as TICs de maneira igualitária.

3. Seja sensível ao gênero

As desigualdades de gênero continuam sendo uma questão séria na economia digital, assim como a lacuna entre as populações urbanas e rurais. O acesso e as oportunidades para mulheres, jovens, agricultores mais velhos e pessoas que vivem nas áreas mais remotas são prejudicados pelo preço do acesso às TICs e por desigualdades persistentes.

Muitos dos fatores que constrangem os agricultores do sexo masculino a adotarem práticas mais sustentáveis ​​e produtivas constrangem ainda mais as mulheres. Barreiras específicas de gênero limitam a capacidade das agricultoras de inovar e de se tornar mais produtivas. Gênero, juventude e diversidade devem ser tratados sistematicamente na fase de planejamento da elaboração do projeto e durante todo o ciclo do projeto.

4. Fornecer acesso e ferramentas para compartilhamento

As mulheres rurais têm menos acesso às TICs – celulares, laptops, Wi-Fi – porque são confrontadas por normas sociais, estão vivendo em áreas desconectadas e geralmente são pobres.

O preço do acesso às TICs pode ser muito alto em alguns países. O preço dos serviços móveis ou de banda larga é uma barreira significativa para a maioria dos grupos vulneráveis, como mulheres, jovens, agricultores mais velhos e pessoas que vivem nas áreas mais remotas. Políticas de inclusão digital com perspectiva de gênero devem ser promovidas para permitir que homens e mulheres acessem e utilizem as TICs de forma igualitária.

5. Construa parcerias

Pequenas empresas privadas e organizações de produtores locais e organizações não governamentais (ONGs) baseadas na comunidade geralmente têm o capital social para fornecer informações confiáveis ​​e serviços de boa qualidade.

Diversos serviços de assessoria e extensão oferecidos por diferentes tipos de provedores têm maior probabilidade de atender às diversas necessidades dos agricultores, já que não há um único tipo de serviço que possa atender a todas as circunstâncias.

As desigualdades de gênero continuam sendo uma questão séria na economia digital, assim como a lacuna entre as populações urbanas e rurais. Identificar a combinação certa de tecnologias e estratégias sensíveis ao gênero e adequadas às necessidades locais é fundamental para aumentar a eficiência e as receitas dos agricultores.

6. Forneça a combinação certa de tecnologias

Identificar a combinação certa de tecnologias que são adequadas às necessidades e contextos locais é muitas vezes um desafio, apesar do – ou devido a – rápido aumento da penetração de telefones móveis nas áreas rurais.

Abordagens combinadas, como de rádio e telefone e tecnologias localmente relevantes selecionadas com base na análise profunda das necessidades locais e sistemas de informação existentes devem ser adotadas para aumentar a eficiência das iniciativas de TICs na agricultura, e melhor servir diferentes usuários e contextos.

7. Garantir sustentabilidade

O fosso digital não se preocupa apenas com infraestrutura tecnológica e conectividade. É fundamental que as iniciativas de TIC tenham como alvo homens e mulheres, bem como a unidade familiar maior e a comunidade, para garantir a sustentabilidade no longo prazo. Uma abordagem inclusiva para as iniciativas de TICs ajudará a gerar reconhecimento generalizado de que é importante que as mulheres possam usá-las.

As TICs oferecem oportunidades valiosas para o desenvolvimento agrícola e rural, aumentando a produção sustentável, a eficiência agrícola e agropecuária e as receitas para uma ampla gama de atores. O acesso das mulheres à informação e à educação também pode aumentar a aceitação do envio de filhas e filhos para a escola, o que terá um impacto maior e aumentará as chances de reduzir a pobreza e alcançar um mundo sem fome.


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